Mostrando postagens com marcador Poesia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Poesia. Mostrar todas as postagens

07 dezembro 2009

Canção para Ninguém


Recordando Thomas Merton, que faleceu 41 anos atrás, no dia 10 de dezembro de 1968, por ter-nos dado a vislumbrar uma certa maneira especial de estar vivo.

Canção para Ninguém



Flor amarela
(Luz e espírito)
Canta sozinha
Para Ninguém.

Espírito de ouro
(Luz e vazio)
Canta sozinho
Sem uma palavra.

Que ninguém toque este suave sol
Em cujo escuro olhar
Alguém desperto está.

(Sem luz, sem ouro, sem nome, sem cor
E sem pensar:
Totalmente desperto!)

Céu de ouro
Canta sozinho
Para ninguém
.


Selected Poems of Thomas Merton
(New Directions, Inc., New York), p. 135

Reflexão da semana de 07-12-2009
Um pensamento para reflexão: “Quer te digas interessado ou não no amor, basta estares vivo para que te diga respeito, porque o amor não é apenas algo que te acontece: é uma certa maneira especial de estar vivo.”
Amor e vida, Thomas Merton




A Song For Nobody


A yellow flower
(Light and spirit)
Sings by itself
For Nobody.


A golden spirit
(Light and emptiness)
Sings without a word
By itself.


Let no one touch this gentle sun
In whose dark eye
Someone is awake.


(No light, no gold, no name, no color
And no thought:
O, wide awake!)


A gold heaven
Sings by itself
A song to nobody.

15 julho 2008

Árvores


Meu zen está no lento balanço dos altos pinheiros.

Longa e delgada coluna de uma árvore oscila seus mais de cem metros em arco mais amplo que todas as outras e baila mesmo quando todas estão quietas.

Centenas de olmos brotam do seco solo sob os pinheiros.

Meu relógio entre folhas de carvalho. Minha camiseta no alambrado e o vento canta no bosque nu.

A Search for Solitude, de Thomas Merton.
Editado por Lawrence S. Cunningham
(HarperSanFrancisco, San Francisco), 1996 p. 232
Reflexão da semana de 14-07-2008

Um pensamento para reflexão:
Doce tarde! Brisas frescas e céu claro!
Este dia não retornará.
Os touros sob as árvores no canto de seu campo.
Quieta tarde! Colinas azuis, lírios do dia ao vento. Este dia não retornará.
Turning Toward the World, Thomas Merton.


My zen is in the slow swinging tops of sixteen pine trees.
One long thin pole of a tree fifty feet high swings in a wider arc than all the others and swings even when they are still.
Hundreds of little elms springing up out of the dry ground under the pines.
My watch among oak leaves. My T-shirt on the barbed wire fence and the wind sings in the bare wood.

Thought for the Day:
Sweet afternoon! Cool breezes and a clear sky!
This day will not come again.
The bulls lie under the tree in the corner of their field.
Quiet afternoon! The blue hills, the day lilies in the wind. This day will not come again.

19 novembro 2007

Salmos que embriagam








Quando os salmos me surpreendem com sua música
E as antífonas tornam-se rum
O Espírito canta; o fundo de minh’alma cai.

E do centro de meu porão, Amor, mais alto que o trovão
Abre-se um céu de ar desnudo.

Novos olhos despertam.

Envio o nome do Amor ao mundo com asas
E canções crescem ao meu redor como uma selva.
Coros de todas as criaturas entoam as melodias
Que o Teu Espírito toca no Éden.

Um pensamento para reflexão: “Saia de si com tudo que se é, o que não é nada, e derrame esse nada em gratidão por Deus ser quem Ele é.”
Dancing in the Water of Life. Diários, Vol. 5, Thomas Merton


PSALM

When psalms surprise me with their music
And antiphons turn to rum
The Spirit sings; the bottom drops out of my soul.

And from the center of my cellar, Love, louder than thunder
Opens a heaven of naked air.

New eyes awaken.

I send Love's name into the world with wings
And songs grow up around me like a jungle.
Choirs of all creatures sing the tunes
Your Spirit played in Eden.

“Psalm” in The Collected Poems of Thomas Merton
(New Directions Publishing Corp., Nova York) 1977, p. 220-221
Reflexão da semana 19-11-2007

12 novembro 2007

Elegia para um Trapista


[Para os que apreciaram a reflexão de Merton sobre o Pe. Stephen, o monge das flores, de Gethsemani, que apareceu na semana passada, 5 de novembro, segue um poema escrito após o enterro do Pe. Stephen.]



Talvez no martirológio ainda hoje
Faltem as palavras para descrever-te
Confessor de exóticas rosas
Mártir de indizíveis jardins

A quem sempre lembraremos
Como um amável ser aflito

Generoso e instável penhasco
Cambaleando no claustro
Como um velho trem de carga
Rumo a incerta estação

Mestre do súbito presente jubiloso
Numa avalanche
De catálogos de flores
E de amor sem limites.

Às vezes um tanto perigoso nas curvas
Tentando infiltrar em vão
Alguns buquês enormes, perfeitos
Num altar lateral

Nas mangas de tua cogula

Na escuridão da madrugada
No dia do teu enterro
Um caminhão com seus faróis
Como um navio de guerra
Chegou até o portão
Por seu jardim silencioso e abandonado

O breve lampejo
Acende grutas, pirâmides e presenças
Uma a uma
O vermelho do portão se abriu
E se fechou rangendo sob as luzes
E houve nada

Como se Leviatã

Excitado pelo rastro de outro sangue
Tivesse passado por ti
Sem te ver escondido nas flores.




ELEGY FOR A TRAPPIST

Maybe the martyrology until today
Has found not fitting word to describe you
Confessor of exotic roses
Martyr of unbelievable gardens

Whom we will always remember
As a tender-hearted careworn
Generous unsteady cliff
Lurching in the cloister
Like a friendly freight train
To some uncertain station

Master of the sudden enthusiastic gift
In an avalanche
Of flower catalogues
And boundless love.

Sometimes a little dangerous at corners
Vainly trying to smuggle
Some enormous and perfect bouquet
To a side altar
In the sleeves of your cow

In the dark before dawn
On the day of your burial
A big truck with lights
Moved like a battle cruiser
Toward the gate
Past your abandoned and silent garden

The brief glare
Lit up the grottos, pyramids and presences
One by one
Then the gate swung red
And clattered shut in the giant lights
And everything was gone

As if Leviathan
Hot on the scent of some other blood
Had passed you by
And never saw you hiding in the flowers.

The Collected Poems of Thomas Merton
(New Directions, Inc., New York), 1977, p. 631- 632
Reflexão da semana de 12-11-2007

13 agosto 2007

Origamis da paz















Garças de papel
(O Hibakusha* vem a Gethsemani)

“ Como dizer que uma ave de papel
É mais forte que um falcão
Se não tem garras de aço?
Nem é forçada a matar,
Porque sem fome.

Mais sábia e selvagem que águias,
Paira sobre a terra inteira.
Sem inimigos
Liberta de seus desejos.

A mão da criança
Dobra essas asas.
Sem vencer guerras, dá fim a todas.

Uma intenção de criança
Sem aflição e sem armas!
Assim olhos de criança
Dão vida a tudo que amam
Afáveis sóis inocentes
Libélulas tão graciosas!”

*Hibakusha: sobreviventes do bombardeio de Hiroshima

The Collected Poems of Thomas Merton
(New Directions Press, New York), 1977 p. 740
Reflexão da semana de 13-08-2007

Paper Cranes
(The Hibakusha* come to Gethsemani)

“ How can we tell a paper bird
Is stronger than a hawk
When it has no metal for talons?
It needs no power to kill
Because it is not hungry.

Wilder and wiser than eagles
It ranges around the world
Without enemies
And free of cravings.

The child's hand
Folding these wings
Wins no wars and ends them all.

Thoughts of a child's heart
Without care, without weapons!
So the child's eye
Gives life to what it loves
Kind as the innocent sun
And lovelier than all dragons!”

*Hibakusha are survivors of the bombing of Hiroshima

18 dezembro 2006

A longa espera

“ O quanto esperamos, com mente quieta como o tempo,
Como sentinelas na torre.
O quanto vigiamos, à noite, como astrônomos.

Céu, quando te ouviremos cantar,
Acima das colinas relvadas,
E dizer: “Fim das trevas, e o Dia
Exulta qual Esposo que sai do tálamo, belo sol,
Sua tenda, o sol; Sua tenda, o sorridente céu!”

O quanto esperamos, com a mente escura como um lago,
Estrelas deslizando para casa na água do nosso ocaso!
Céu, quando te ouviremos cantar?”


How long we wait, with minds as quiet as time,
Like sentries on a tower.
How long we watch, by night, like the astronomers.

Heaven, when will we hear you sing,
Arising from our grassy hills,
And say: “The dark is done, and Day
Laughs like a Bridegroom in His tent, the lovely sun,
His tent the sun, His tent the smiling sky!”?

How long we wait with minds as dim as ponds

While stars swim slowly homeward in the water of our west!
Heaven, when will we hear you sing?

Collected Poems, Thomas Merton.
(New Directions Press, New York) 1977, p. 89-90

Reflexão da semana de 18-12-2006

O pensamento da semana: “A vigilância é uma expressão particular da pureza de coração monástica — a virgindade do espírito ‘própria’ à vida de contemplação. Deixamos tudo para vigiar à noite ‘sobre os muros de Jerusalém’. Esperamos a Parusia com as lâmpadas prontas, como virgens prudentes.”

Tempo e liturgia, Thomas Merton