28 fevereiro 2011

Criações ilusórias

“Se considerarmos nosso vulnerável envoltório como nossa verdadeira identidade, se pensarmos que nossa máscara é nossa verdadeira face, nós o protegeremos com invenções mesmo à custa de violar nossa própria verdade. Este parece ser o esforço coletivo da sociedade: quanto mais os homens se empenharem nele, mais certamente a invenção se tornará uma ilusão coletiva, até chegarmos a ter a dinâmica enorme, obsessiva e incontrolável de criações ilusórias destinadas a proteger identidades meramente fictícias — ‘eus’, ou seja, considerados como objetos.”

Raids on the Unspeakable, de Thomas Merton
(New Directions Press, New York), 1966, p. 15
Reflexão da semana de 28-02-2011

Um pensamento para reflexão: “Para se ter uma identidade, há que se estar desperto e atento.”
Raids on the Unspeakable, Thomas Merton

21 fevereiro 2011

Contradição entre as coisas e Deus

“Desapegar-se das coisas não significa criar uma contradição entre as ‘coisas’ e ‘Deus’, como se fora Deus outra ‘coisa’ e Suas criaturas fossem Suas rivais. Não nos desapegamos das coisas para nos apegarmos a Deus, mas nos desapegamos de nós mesmos de maneira a ver e usar todas as coisas em e para Deus. Esta é uma perspectiva inteiramente nova que muitos espíritos sinceros em sua conduta moral e ascética não conseguem ver de forma alguma.”

New Seeds of Contemplation, de Thomas Merton
(New Directions, New York), 1961. p. 21
No Brasil: Novas Sementes de Contemplação, (Ed. Fissus, Rio de Janeiro), 2001. p. 29
Reflexão da semana de 21-02-2011

Um pensamento para reflexão: “A realidade sempre cambiante no meio da qual vivemos deveria nos despertar para a possibilidade de um diálogo ininterrupto com Deus.”
Novas Sementes de Contemplação, Thomas Merton

14 fevereiro 2011

Emoção e razão

“Quem não tem sentimentos humanos não pode amar a Deus do modo como é para amá-lo – como homens. Quem não corresponde ao afeto humano não pode ser amados por Deus da maneira como Ele quis amar-nos – com o coração do Homem Jesus que é Deus, o Filho de Deus e o Cristo Ungido.”

Thoughts in Solitude
, de Thomas Merton

(Farrar, Straus and Giroux Publishers, New York), 1958. p. 13
No Brasil: Na liberdade da solidão, (Editora Vozes, Petrópolis), 2001. p. 22
Reflexão da semana de 14-02-2011

Um pensamento para reflexão
: “Seria absurdo pensar que a emoção não tem lugar na vida espiritual porque, às vezes, interfere com a razão.”

Na liberdade da solidão, Thomas Merton

07 fevereiro 2011

A vida não é um jogo

“O que estou dizendo é o seguinte: o que importa não é marcar pontos. A vida não tem de ser considerada como um jogo no qual se contam os pontos e alguém ganha. Se você se preocupar demais em ganhar, não a desfrutará jogando. Se estiver obcecado demais com o sucesso, se esquecerá de viver. Se só tiver aprendido como ter sucesso, provavelmente terá desperdiçado a vida.”

Love and Living, de Thomas Merton
Editado por Naomi Burton Stone e Patrick Hart, OCSO
(A Harvest/HBJ Book, Harcourt Brace Jovanovich, San Diego), 1979. p. 12
No Brasil: Amor e Vida
, (Martins Fontes Editora, São Paulo), 2004. p. 13

Reflexão da semana de 07-02-2011

Um pensamento para reflexão
: “(…) descobri uma forma superior de ressentimento, um meio original de fazer mais pontos do que todo o mundo por me recusar a contar pontos.”

Amor e Vida, Thomas Merton

31 janeiro 2011

Crise impensável

“Vivemos em crise, e talvez achemos isto interessante. No entanto, também nos sentimos também culpados em relação a esse fato, como se não devêssemos estar em crise. Como se fôssemos tão sábios, tão capazes, tão gentis, tão razoáveis que a crise deveria ser sempre impensável. É, sem dúvida, esse deveríamos, esse devemos que torna nossa era tão interessante que não pode ser um tempo de sabedoria, nem mesmo de razão. Pensamos saber o que deveríamos estar fazendo e nos vemos, com a inexorável deliberação de uma máquina que enguiçou, fazendo o oposto.”

Conjectures of a Guilty Bystander, de Thomas Merton
(Doubleday, New York), 1966. p. 66
No Brasil: Reflexões de um espectador culpado, (Editora Vozes, Petrópolis), 1970. p. 76
Reflexão da semana de 31-01-2011

Um pensamento para reflexão: “Se realmente buscássemos a verdade, começaríamos lenta e laboriosamente a nos despir de todas as  camadas de ficção e ilusão que nos recobrem: ou, pelo menos, desejaríamos poder fazê-lo, pois o mero querer não basta para realizá-lo.”
Reflexões de um espectador culpado, Thomas Merton