12 maio 2014

Minha alegria na Sua glória

“Tudo o que se oferece a Deus com intenção simples, Ele aceita não só por causa da nossa boa vontade, mas porque Lhe é agradável em si mesmo. É uma obra boa e perfeita, inteiramente feita por amor de Deus. Ele tira a própria perfeição não apenas dos nossos pobres esforços, mas da Sua misericórdia, que os enriqueceu. Dando ao Senhor obras de reta intenção, eu posso estar seguro de que Lhe dou o que não é mau. Mas, se Lhe ofereço obras de simples intenção, estou dando o que é melhor. E, além de tudo o que posso dar ou fazer por Ele, eu fico em paz e tenho a minha alegria na Sua glória.”

Homem Algum é uma Ilha, Thomas Merton (Verus Editora, Campinas), 2003. p. 77.

05 maio 2014

A simples e reta intenção

“Quando Ação e Contemplação habitam juntas, enchendo toda nossa vida por sermos movidos em tudo pelo Espírito de Deus, então somos espiritualmente maduros. As nossas intenções são habitualmente puras. Em algum lugar de sua obra, faz Johannes Tauler* uma distinção entre dois graus de intenção pura: a um deles chama de reta intenção; a outro, de intenção simples. Eles servem para explicar a união entre ação e contemplação em um todo harmonioso.

Quando temos reta intenção, a nossa intenção é pura. Procuramos fazer a vontade de Deus com motivo sobrenatural. Temos em vista agradar a Deus. (…)

Mas, quando é uma intenção simples que temos, somos menos ocupados com a coisa a fazer. Tudo o que então fazemos, fazemos não somente por Deus, mas, por assim dizer, em Deus. Somos mais atentos a Deus que trabalha em nós, do que a nós mesmo ou à nossa obra.”

Homem Algum é uma Ilha, Thomas Merton (Verus Editora, Campinas), 2003. p. 73. 


* Dominicano alemão do séc. XIV e um dos grandes místicos do cristianismo.

28 abril 2014

Contemplação e Providência Divina

“Temos fome das palavras transformadoras que nos vem de Deus, palavras ditas em segredo ao nosso espírito e portadoras de nosso inteiro destino. Acabamos por não viver de nada mais senão dessa voz. A nossa contemplação enraíza-se no mistério da Providência divina e na sua atualidade. A Providência não pode mais ser para nós uma abstração filosófica. Ela não é uma agência sobrenatural a prover-nos de roupa e mesa no devido tempo. É ela mesma que se torna alimento e vestuário nosso. A nossa vida são as próprias decisões misteriosas de Deus.”

Homem Algum é uma Ilha, Thomas Merton (Verus Editora, Campinas), 2003. p. 72.

22 abril 2014

A Vontade de Deus

“A santidade não consiste apenas em fazer a vontade de Deus. Ela está em querer a vontade de Deus. Pois santidade é união com Deus, e nem todos os que executam a Sua vontade estão unidos a ela.

(...) Mas, para querer o que Ele quer, devemos começar por saber alguma coisa do que Ele deseja. Cumpre-nos pelo menos desejar conhecer o que Ele quer.

(...) Ele deseja que obedeçamos a tudo que Ele ordena, que nada façamos do que Ele proibiu, que queiramos o que Ele deseja que queiramos e rejeitemos tudo o que Ele deseja que rejeitemos.

Homem Algum é uma Ilha, Thomas Merton (Verus Editora, Campinas), 2003. p. 62.

14 abril 2014

Somos o que rezamos

“Como o homem é, assim ele reza. É pelo modo de falarmos a Deus que nós nos fazemos aquilo que somos. O homem que não ora jamais, é alguém que tentou fugir de si mesmo, porque fugiu de Deus. Mas, embora seja ele tão irreal, é mais real do que o homem que ora a Deus com um coração falso e mentiroso.”

Homem Algum é uma Ilha, Thomas Merton (Verus Editora, Campinas), 2003. p. 50.