20 junho 2016

Vocare

“Minha ordenação sacerdotal foi, sinto, aquele grande segredo para que nasci. Dez anos antes de ser ordenado, quando vivia no mundo e parecia ser um dos homens do mundo menos capazes de ser sacerdote, compreendi subitamente que minha ordenação era, de fato, assunto de vida ou de morte, de céu ou de inferno. Desde o momento em que pude ainda me encontrar com a inescrutável vontade de Deus, minha vocação se tornou clara. Foi uma mercê e um segredo tão exclusivamente meus, que a princípio não pretendia falar dele a ninguém.” 
O signo de Jonas, Thomas Merton (Ed. Mérito), 1954, pág. 209

13 junho 2016

Comum união

“Pois, quando estamos unidos a Deus no silêncio e na obscuridade e quando nossas faculdades estão elevadas acima do nível de sua atividade própria, repousando na pura, tranquila, incompreensível nuvem que envolve o presença de Deus, nossa oração e a graça que nos é comunicada tendem, por sua própria natureza, a transbordar, derramando-se invisivelmente sobre todo o Corpo Místico de Cristo. Assim, vivendo invisivelmente ligados, pela união ao Espírito de Deus, nós nos influenciamos uns aos outros, muito mais do que poderíamos imaginar, por nossa própria união com Deus, por nossa vitalidade espiritual nele.”
Novas Sementes de Contemplação, Thomas Merton (Fissus), 1999, pág. 267

06 junho 2016

Ad Extra

“Somente quando nossa atividade procede da base na qual consentimos nos dissolver ela tem a fertilidade divina de amor e graça. Só então ela atinge realmente os outros em verdadeira comunhão. Muitas vezes nossa necessidade dos outros não é absolutamente amor, mas apenas a necessidade de sermos sustentados em nossas ilusões, assim como sustentamos as dos outros. Mas, quando renunciamos a essas ilusões, então podemos ir ao encontro dos outros com verdadeira compaixão. É na solidão que as ilusões finalmente se dissolvem.”
Amor e vida, Thomas Merton (Martins Fontes), 1ª Ed. 2004, pág. 25

30 maio 2016

Ad Intra

“Heidegger disse que nossa relação com o que está mais próximo de nós é sempre confusa e sem vigor. O que é mais próximo de nós do que a solidão que é a base de nosso ser? Ela está sempre lá. Precisamente por essa razão ela é sempre ignorada, porque quando começamos a pensar nela sentimo-nos pouco à vontade, (...) na verdade, estamos tão próximos de nós mesmos que não há, realmente, ‘relação’ nenhuma com a base de nosso próprio ser. Será que não podemos ser simplesmente nós mesmos sem pensar nisso? Esta é a verdadeira solidão.”
Amor e vida, Thomas Merton (Editora Martins Fontes), 1ª Ed. 2004, pág. 23

23 maio 2016

Despertar

“Somente no silêncio e na solidão, na tranquilidade da adoração, na paz reverente da oração, na adoração na qual o ego-eu inteiro silencia e se rebaixa na presença do Deus invisível para receber Sua única Palavra de Amor; somente nessas ‘atividades’ que são ‘não-ações’, o espírito desperta verdadeiramente do sonho de uma existência variada, confusa e agitada.”

Amor e vida, Thomas Merton (Martins Fontes, 2004), pág. 22