10 outubro 2016

Um sinal para nós

“Deus se dá àqueles que se dão a Ele. A maneira não importa muito, contanto que seja a maneira que Ele escolheu para o nosso caso. Acho que posso me aproximar de Deus tanto por meio do estudo dos áridos problemas da teologia moral, como pela leitura dos mais ardentes textos místicos. Pois é a vontade de Deus que eu, como sacerdote, conheça minha teologia moral. O dever não deve ser enfadonho. O amor pode torná-lo belo e enchê-lo de vida. Enquanto estivermos preocupados em traçar linhas divisórias entre o dever e o prazer no mundo do espírito, estaremos afastados de Deus e de sua alegria.”
O signo de Jonas, Thomas Merton (Ed. Mérito), 1954, pág. 324

03 outubro 2016

Vai e faze a mesma coisa

 
O bom samaritano  -  Vincent Van Gogh
“A Igreja, que Cristo ‘comprou com seu sangue’ (At 20,28), é chamada a manter vivo na terra esse insubstituível clima de misericórdia, verdade e fé, no qual a alegria criativa e doadora de vida da reconciliação em Cristo não só permanece sempre possível, como é uma realidade contínua e sempre renovada. Esse poder da misericórdia, reconciliação e união em Cristo é identificado ao poder que ressuscitou o Próprio Senhor dentre os mortos (Ef 1,19-20; 2,4-6) e venceu o ‘poder’ dos arcontes, os tiranos espíritos que regem ‘este mundo de trevas’ e dominam os filhos da descrença e da desobediência (Ef 2,2). O poder da misericórdia é o poder que nos faz um em Cristo, destruindo todas as divisões (Ef 2, 14-18).”
Amor e vida, Thomas Merton (Editora Martins Fontes), 1ª Edição 2004, pág. 222

26 setembro 2016

Aquele que dentre vós for o menor, esse é o maior

São Pedro penitente - Guido Reni
“O silêncio interior é impossível sem a misericórdia e a humildade.”

Na liberdade da solidão, Thomas Merton (Ed. Vozes), 7ª Ed. 2014, pág. 60

19 setembro 2016

A lâmpada que deve brilhar

“Eu tinha certo receio de todas as regras religiosas como um todo, e este novo passo para o mosteiro não era algo que eu daria apressadamente. Ao contrário, minha mente estava cheia de dúvidas sobre o jejum, a clausura, as longas orações, a vida comunitária, a obediência monástica, a pobreza, etc. E havia muitos fantasmas estranhos dançando nas portas da minha imaginação, todos prontos a entrar, se eu o permitisse. Caso o permitisse, eles me mostrariam como ficaria demente no mosteiro, como minha saúde se abalaria e meu coração baquearia; eu entraria em colapso, seria reduzido a frangalhos e voltaria ao mundo qual destroço moral e físico, sem qualquer esperança. (...)
Tão logo comecei a jejuar, a recusar a mim mesmo certos prazeres e a dedicar tempo à oração, à meditação e aos outros exercícios que fazem parte da vida religiosa, descobri que superava rapidamente minha má saúde, tornava-me saudável, forte e imensamente feliz.”
A montanha dossete patamares, Thomas Merton (Ed. Vozes), 2ª Ed. 2010, pág. 237-238

12 setembro 2016

No limiar do desespero

“Como Deus está próximo de nós, quando, reconhecendo e aceitando a nossa abnegação, lançamos inteiramente em suas mãos os nossos cuidados! Contra toda a expectativa humana, Ele nos sustenta quando é preciso, ajudando-nos a fazer o que parecia impossível. Aprendemos, então, a conhecê-Lo não nessa ‘presença’ que se acha em abstratas considerações (...) mas no vazio de uma esperança que pode chegar ao limiar do desespero. (...) A esperança está sempre prestes a converter-se em desespero, mas sem nunca chegar, porque, no instante supremo da crise, o poder de Deus se perfaz, de repente, em nossa fraqueza.”
Homem algum é uma ilha, Thomas Merton, (Ed. Agir) 5ª Edição, 1968, pág. 172