28 novembro 2016

O mistério do Advento...

em nossas vidas, é o início e o fim de tudo, em nós, que não seja Cristo. É o começo do fim da irrealidade, e isso é, certamente, causa de alegria! Mas, infelizmente, nós nos agarramos a nossa irrealidade, preferimos a parte ao todo. Continuamos a ser fragmentos, não queremos ser “um só homem em Cristo”.
 Tempo e Liturgia, Thomas Merton
(Vozes, 1968) pág. 98

21 novembro 2016

Eis minha mãe e meus irmãos

desenho de Thomas Merton

“(...) Mostra-nos o vosso Cristo, Senhora, depois deste nosso exílio, sim, mas mostra-O agora também a nós aqui, enquanto ainda somos peregrinos.(...)

Ó Senhor, como devem ser alegres e felizes aqueles que, ao considerar a si próprios, não encontram neles nada mesmo de especial. (...) Eles são pobres em espírito e possuem dentro de si próprios o reino do céu, pois deixaram de ser notáveis até para si próprios. Mas neles brilha a luz de Deus e eles mesmos e todos que a vêem, Te glorificam, Ó Deus!”

Diálogos com o silêncio, Thomas Merton 
(Editora Fissus, 2003) pág. 25 e 155

14 novembro 2016

Devolver quatro vezes mais

“A renúncia cristã é só o começo de uma divina plenitude. É inseparável da íntima conversão de nosso ser inteiro que se volta de nós mesmos para Deus. É a rejeição da nossa imperfeição, a renúncia da nossa pobreza, para que possamos mergulhar na plenitude das riquezas de Deus e da sua criação, sem recair no nosso próprio nada.”
Homem algum é uma ilha, Thomas Merton
(Editora Agir, 1968) pág. 100

07 novembro 2016

Servos inúteis

“Mas, enquanto fingimos viver em pura autonomia, como senhores de nossa vida, sem mesmo um deus que nos governe, seremos inevitavelmente como o servidor de outro homem ou como o membro alienado de uma organização. Paradoxalmente, quando aceitamos a Deus é que nos tornamos livres, libertando-nos da tirania humana, pois quando o servimos não nos é mais permitido alienar nosso espírito em servidão humana. Deus não convidou os filhos de Israel a deixar a escravidão do Egito; ordenou que o fizessem.”
(Editora Fissus, 1999) pág. 113


Moisés e os hebreus cruzando o Mar Vermelho perseguidos pleo Faraó
Afresco em parede na sinagoga de Dura-Europos (atual Siria). 303 aC-256 dC

31 outubro 2016

O conhecimento amoroso de Deus

“A pura fé, aperfeiçoada pelos Dons do Espírito Santo e transfigurada pela caridade, brota nas profundezas da alma e dá-lhe de beber, em segredo, as águas da verdade divina. Essas águas não são meras proposições sobre Deus, mas a própria presença de Deus mesmo. Mas desde o momento em que a nossa contemplação transcende aos claros conceitos, e a inteligência entra nas trevas divinas, o nosso conhecimento de Deus é dominado pelo amor e flui do amor. Isto é tão verdadeiro que muitos Padres da igreja escreveram, como fez o cisterciense Guilherme de S. Thierry, Amor Dei ipsa est notitia: ‘O amor de Deus é o nosso conhecimento Dele’. Conquanto teologicamente vaga, esta proposição carrega uma verdade significativa, a que S. João da Cruz dá muita ênfase, e que recebe de S. Tomás de Aquino uma definição precisa.”
Ascensão para a verdade, Thomas Merton
(Editora Itatiaia, 1999) pág. 200