06 novembro 2017

Fome diante do banquete

“Temos fome das palavras transformadoras que nos vem de Deus, palavras ditas em segredo ao nosso espírito e portadoras de nosso inteiro destino. Acabamos por não viver de nada mais senão dessa voz. A nossa contemplação enraíza-se no mistério da Providência divina e na sua atualidade. A Providência não pode mais ser para nós uma abstração filosófica. Ela não é uma agência sobrenatural a prover-nos de roupa e mesa no devido tempo. É ela mesma que se torna alimento e vestuário nosso. A nossa vida são as próprias decisões misteriosas de Deus.”

(Verus, 2003). p. 72
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“We hunger for the transforming words of God, words spoken to our spirit in secret and containing our whole destiny in themselves. We come to live by nothing but this voice. Our contemplation is rooted in the mystery of Divine Providence, and in its actuality. Providence can no longer be for us a philosophical abstraction. It is no longer a supernatural agency to provide us with food and clothing at the right time. Providence itself becomes our food and our clothing. God’s mysterious decisions are themselves our life."
No man is an island
(Harvest Book, 1995), p.69

“Tenemos hambre de las palabras transformadoras que nos vienen de Dios, palabras dichas en secreto a nuestro espíritu y que contienen todo nuestro destino. Terminamos por no vivir más que de esa voz. Nuestra contemplación está arraigada en el misterio de la Divina Providencia y su realidad. La Providencia ya no puede ser para nosotros una abstracción filosófica. No se trata de una agencia sobrenatural que nos provee de alimento y ropa a su debido tiempo. La misma Providencia es nuestro alimento y nuestra ropa. La decisiones misteriosas de Dios son ellas mismas nuestra vida.”
Los hombres no son islas
Traducción SAFTM – Brasil

30 outubro 2017

A semente e o fermento

"Mantenha seus olhos puros, seus ouvidos silenciosos e sua mente serena. Respire o ar de Deus. Trabalhe, se possível, sob seu céu.

Mas, se for obrigado a viver numa cidade, a trabalhar com máquinas, a andar de metrô, a comer em lugares onde o rádio o ensurdece espalhando notícias espúrias e a comida destrói-lhe a vida, onde os sentimentos dos que o rodeiam envenenam de tédio o seu coração, não seja impaciente: aceite tudo com amor de Deus e como uma semente de solidão plantada em sua alma. Se você for abalado por essas coisas, manterá seu apetite pelo silêncio vivificante do recolhimento. Mas, enquanto isso, mantenha a compaixão para com os homens que se esqueceram do conceito mesmo de solidão. Você ainda pode ter a esperança dessa alegria. Eles nem mais a esperam."

Novas sementes de contemplação
(Vozes, 2017) pág. 89


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The seed and the yeast
"Keep your eyes clean and your ears quiet and your mind serene. Breathe God’s air. Work, if you can, under His sky.But if you have to live in a city and work among machines and ride in the subways and eat in a place where the radio makes you deaf with spurious news and where the food destroys your life and the sentiments of those around you poison your heart with boredom, do not be impatient, but accept it as the love of God and as a seed of solitude planted in your soul. If you are appaled by those things, you will keep your appetite for the healing silence of recollection. But meanwhile-keep your sense of compassion for the men who have forgotten the very concept of solitude. You, at least, know that it exists, and that it is the source of peace and joy. You can still hope for such joy. They do not even hope for it any more."
New seeds of contemplation
(New Directions Books, 2007), p.86-87
La semilla y la levadura
"Mantén limpios tus ojos, tranquilos tus oídos y sereno tu espíritu. Respire el aire de Dios. Trabaja, si puedes, bajo su cielo.Pero, si has de vivir en una ciudad y trabajar entre máquinas, viajar en subterráneo y comer en un sitio donde la radio te ensordece con noticias falsificadas, la comida destruye tu vida y los sentimientos de los que te rodean emponzoñan tu corazón de tedio, no te turbes, sino acéptalo como el amor de Dios y como semilla de soledad sembrada en tu alma y alégrate de ese sufrimiento. Si te apabullan esas cosas, mantendrás tu apetito por el silencio vivificante des recogimiento. Pero mientras tanto mantén la compasión hacia los hombres que se han olvidado del concepto mismo de soledad. Todavía puedes tener la esperanza de esa alegría. Ellos ya ni siquiera la esperan."
Semillas de contemplación
(E.D.H.A.S.A., p. 24 hasta sufrimiento. Luego, traducción SAFTM-Brasil)

23 outubro 2017

A nossa contribuição

"A vontade de Deus quanto a nós não é só que sejamos as pessoas que Ele nos destinou a ser, mas que tomemos parte nesse trabalho de criação e O ajudemos a fazer de nós as pessoas que Ele quer que sejamos."
Agir, 6ª Ed. 1976, pág. 72

16 outubro 2017

Como nos dirigimos a Deus?


"Como o homem é, assim ele reza. É pelo modo de falarmos a Deus, que nós nos fazemos aquilo que somos."
(Agir, 6ª Ed. 1976), pág. 55

12 outubro 2017

300 anos da Padroeira do Brasil - Nossa Senhora, por Thomas Merton

Em comemoração aos 300 anos de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, Padroeira do Brasil, a Sociedade dos Amigos Fraternos de Thomas Merton envia a você, caro assinante, este trecho onde Thomas Merton demonstra sua fé na intercessão da Mãe de Deus. Assim como Nossa Senhora conduziu os três pescadores nas águas do Rio Paraíba do Sul, naquele longínquo 12 de outubro de 1717, o fez também com o futuro Fr. Mary Louis Merton em fins de novembro de 1934 sobre as águas do oceano Atlântico. O texto original é da década de 1940 quando Merton escreve sua mais famosa obra: A montanha dos sete patamares. A Ilustração é de Lúcio Américo de Oliveira, teólogo e artista sacro brasileiro que com a graça de Deus e a influência de Cláudio Pastro e São Francisco de Assis, nos cedeu gentilmente a imagem abaixo. 

 "Senhora, quando naquela noite deixei a Ilha que foi outrora vossa Inglaterra, vosso amor me acompanhou, ainda que eu não pudesse sabê-lo nem dele tomar consciência. E foi vosso amor, vossa intercessão por mim, perante Deus, que estava preparando os mares diante de mim, abrindo-me o caminho para outro país.
Eu não tinha certeza para onde ia nem podia imaginar o que faria em Nova York. Mas vós vistes mais longe e com mais clareza e abriste os mares diante do meu navio, cuja trajetória me levou por sobre as águas a um lugar com que jamais havia sonhado, mas que já então estáveis preparando para ser minha salvação, meu refúgio e meu lar. E quanto eu achava que não havia Deus, não havia amor nem misericórdia, vós me conduzíeis o tempo todo para dentro do seu amor e misericórdia, levando-me, sem meu conhecimento para a casa que me ocultaria no segredo da sua face."
(Vozes, 2ªEd. 2010), pág. 119-120

"Lady, when on that night I left the island that was once your England, your love went with me, although I could not know it. And it was your love, your intercession for me, before God, that was preparing the seas before my ship opening the way for me to another country.
I was not sure where I was going, and I could not see what I would do when I got to New York. But you saw further and clearer than I, and you opened the seas before my ship, whose track led me across the waters to a place I had never dreamed of, and which even then you were preparing for me to be my rescue and my shelter and my home. And when I thought that there was no God and no love and no mercy, you were leading me all the while in the midst of his love and his mercy, and taking me, without my knowing anything about it, to the house that would hide me in the secret of his face. 
Merton, The Seven Storey Mountain, quoted by WEIS (Monica), Thomas Merton’s Gethsemani: Landscapes in Paradise, ed. University Press of Kentucky, p. 7.

“Señora, cuando por la noche abandoné la isla que antes fue tu Inglaterra, tu amor me acompañaba, aunque no pudiese saberlo, ni pudiera hacerme consciente de ello. Y era tu amor, por intercesión por mí, que disponía las aguas delante de mi barco, dejándome abierto el camino para otro país.
No estaba seguro de adónde iba, no podía ver lo que haría cuando llegara a Nueva York. pero tú velas más lejos y más claro que yo y abrías los mares delante de mi barco, cuyo camino me conducía a través de las aguas, a un lugar con el que nunca había soñado y que ya entonces me preparabas para que fuera mi rescate, mi abrigo mi hogar.  Cuando yo creía que no había Dios, ni amor, ni misericordia, tú me guiabas al centro de su amor y su misericordia y me llevabas sin saber yo nada de ello, a la casa que me ocultaría en el secreto de su faz."

Montaña de los siete círculos, Editorial Sudamericana, Buenos Aires, 6a ed., 1998, p.138.