14 maio 2018

Tranquilo cume

14 de maio de 1947 – Vigília da Ascensão

(...) Amanhã é o dia da Ascensão, minha festa favorita. Em qualquer época do ano, surpreendo-me a ouvir as antífonas da Ascensão cantando em meus ouvidos, enchendo-me de luz e paz. Vado parare vobis locum¹. É a festa do silêncio e da solidão interior, quando subimos ao céu com Jesus: pois Ele nos transporta ao céu após haver vivido um pouco entre nós, na terra. Esta é a graça do dia da Ascensão: sermos levados para o céu de nossas próprias almas, o apex mentis, o ponto de imediato contato com Deus. Descansar nesse tranquilo cume, nas trevas que cercam Deus. Viver ali, através de todas as provações e de toda agitação, com o Tranquillus Deus tranquillans omnia². Que Deus esteja comigo neste dia e para sempre.


1. “Vou, para preparar-vos um lugar”.
2. “O Deus tranquilo que faz tranquilas todas as coisas”. (São Bernardo)


(Mérito, 1954) pág. 60

07 maio 2018

Desejos, preocupações e apegos

Jamais encontraremos a solidão interior se não fizermos um esforço consciente para nos libertar dos desejos, preocupações e apegos de uma existência no tempo e no mundo.

Novas Sementes de Contemplação
(Vozes, 2017) pág. 87

23 abril 2018

União com o Pai

“As obras do Filho decorrem de sua inefável união com o Pai, são sua expressão viva e vivo testemunho. ‘Se não faço as obras do meu Pai, não me creiais. Mas se as faço, mesmo que não me quisésseis crer, credes em minhas obras, a fim de que saibais e conheçais que o Pai está em mim e que estou no Pai’ (Jo 10,37-38).”

(Vozes, 1959) pág. 24

16 abril 2018

Crescer no conhecimento e no amor

“Se amamos o Santíssimo Sacramento e se nos comprazemos em passar o nosso tempo na adoração desse formidável mistério de amor, não podemos deixar de procurar aprofundar cada vez mais a caridade de Cristo. Não podemos tampouco deixar de chegar a um conhecimento íntimo e pessoal de Jesus oculto sob os véus sacramentais. Entretanto, à medida que crescemos no conhecimento e no amor dele, necessariamente aumentará o nosso conhecimento do amor que Ele tem por nós. Chegamos a compreender cada vez melhor com que seriedade Jesus quer que tomemos o seu ‘mandamento novo’ de nos amarmos uns aos outros como Ele nos amou.”

(Vozes, 1963) pág. 162

09 abril 2018

Ressurreição e o mistério da cruz

A ressurreição de Cristo é, portanto, o coração da fé cristã. Sem ela, a morte de Jesus na cruz não passa de uma tragédia do homem honesto – a morte de um Sócrates judeu. Sem a ressurreição, o ensinamento de Jesus é simplesmente uma coleção de fragmentos incoerentes, com uma vaga referência moral. Os Evangelhos perdem o principal do seu sentido.
(…)
Quem pretende penetrar no coração do cristianismo e aí beber das águas vivas que trazem alegria à cidade de Deus (cf. Sl 45,5), deve entrar nesse mistério. E o mistério da ressurreição é simplesmente a consumação do mistério da cruz.


(Verus, 2003) pág. 160 e 161