(Vozes, 1975) pág. 142
31 dezembro 2018
A ação na vida contemplativa
“Seja qual for a necessidade de ação e de serviço da parte do contemplativo, deve ela ceder às exigências mínimas da vida contemplativa. A ação na vida contemplativa existe por causa da contemplação e vice-versa. A abertura do contemplativo é justificada na medida em que o habilita a tornar-se um melhor contemplativo e compartilhar com outros ou fruto de sua contemplação.”
18 dezembro 2018
Oração pública e privada
“A tradição cristã primitiva e os escritores espirituais da Idade Média não conheciam nenhum conflito entre a oração ‘pública’ e a ‘privada’, ou entre a liturgia e a contemplação. Este é um problema moderno. Ou talvez fosse mais exato dizer que se trata de um pseudoproblema. A liturgia tende, por sua própria natureza, a prolongar-se na oração individual contemplativa. E a oração mental, por sua vez, dispõe-nos ao culto litúrgico e nele busca a plenitude.”
(Ecclesiae, 2018) pág. 71
26 novembro 2018
Para libertar os corações
“Na solidão da vida monástica o monge começa a sentir de maneira obscura que grandes áreas são nele abertas em profundidade no mais íntimo de seu ser; e que o carisma de sua vocação monástica exige uma obediência que se processa num abismo demasiadamente profundo para ser por ele compreendido. Trata-se de uma obediência que impregna as raízes do ser. Essa obediência é muito mais fácil do que qualquer deferência para com a vontade de um homem. Contudo deve ela ser testada por uma regra, uma disciplina e pela submissão às vontades de outros. Sem isso é pura ilusão. Entretanto, para que as regras e as ordens mantenham seu valor na vida monástica, devem ser consideradas em seu correto relacionamento com o escopo definitivo da vida monástica. A obediência monástica não existe para fabricar autômatos (...), existe para libertar os corações e os espíritos a fim de permitir-lhes penetrar na terrível obscuridade da contemplação, que linguagem alguma é capaz de expressar e nenhuma racionalização pode explicar. E deve ser sempre lembrado que essa libertação contemplativa é um dom de Deus.”
(Vozes, 1975) pág. 41
20 novembro 2018
Esperar pacientemente a hora da graça
“Algumas pessoas podem, sem dúvida, ter o dom espontâneo da oração meditativa. Hoje em dia, isso é raro. A maior parte dos homens tem de aprender como meditar. Existem maneiras de meditar. Não devemos, entretanto, esperar encontrar método mágicos, sistemas que façam toda as dificuldades e obstáculos se dissolverem no ar. A meditação é, por vezes, muito difícil. Se sustentarmos com coragem as durezas na oração e esperarmos pacientemente a hora da graça, bem poderemos descobrir que a meditação e a oração são experiências que nos trazem grande alegria. Não devemos, porém, julgar o valor de nossa meditação partindo de ‘como nos sentimos’. Uma oração dura e aparentemente infrutífera pode, de fato, ter muito mais valor do que outra mais fácil, feliz, iluminada e que pareça bem-sucedida.”
A oração contemplativa
(Ecclesiae, 2018) pág. 53-54
12 novembro 2018
Esmagado pela santidade de Deus
“Um santo não é somente o homem que sabe possuir virtudes e santidade; mas o homem que é esmagado pela santidade de Deus. E, por isso, as coisas tornam-se sagradas na medida em que são compartilhadas por Deus. Todas as criaturas são sagradas até o ponto em que participam de Seu ser; mas os homens são encorajados a se fazerem santos por um meio mais elevado, isto é, por participarem de Sua transcendência, elevando-se acima do nível das coisas que não são Deus.”
(Mérito, 1954) pág. 297
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