07 setembro 2004

O Signo de Jonas


do Prólogo

Este livro, constituído por notas pessoais e meditações E escritas durante cinco anos de minha vida no mosteiro de Gethsemani, não foi composto com a ideia de que viesse a ser lido por pessoas não familiarizadas com a vida monástica. Por isso, ao escrevê-lo, não me dei ao cuidado de explicar os acontecimentos correntes e exercícios regulares da vida diária de um Trapista, nem pensei que podia ser necessário completar o fundo do quadro. A menos que o leitor tenha em mente um ligeiro esboço da Vida de uma comunidade monástica, algumas das notas deste Diário se tornam de compreensão difícil.




Duas coisas são importantes. Em primeiro lugar, o que significa a vida trapista e, em segundo lugar, a força especial que tal vida adquire num desses momentos conhecidos como “períodos de fervor”. A significação da maior parte deste Diário reside no fato de que foi escrito em momento pouco usual da história de um determinado mosteiro. O livro não foi escrito a respeito do mosteiro nem a respeito de sua surpreendente situação atual. Mas reflete algo das reações de um indivíduo envolvido nas dores de parto dessa “situação”.


O mosteiro trapista padrão é lugar calmo, fora da circulação – comumente num ponto qualquer da França habitado por uma comunidade de setenta ou oitenta homens entregues a uma vida enérgica e silenciosa, inteiramente consagrada a Deus. É uma Vida de oração e de penitência, de liturgia, estudo e trabalho manual. Os monges não devem dedicar-se a nenhuma atividade exterior – nem pregação, nem ensino, nada. O único ensino a que se podem dedicar limita-se às classes de teologia e filosofia, dentro do mosteiro – classes frequentadas pelos monges jovens, ou “escolásticos”, que se preparam para o sacerdócio. 
(...)

Sobre o livro, escreveu Dom Bernardo Bonowitz, OCSO,  

(...) Após a leitura de O signo de Jonas, o diário de Merton sobre seus primeiros anos em Gethsemani após a profissão, é possível perceber quão inteiramente ele se dedicou a sua vocação. Por meio de passagens marcadas por humor, lirismo e sóbria autoanálise (uma amostra de seus múltiplos dons literários), o escritor revela ao leitor a fidelidade, o ardor e a integridade com as quais mergulhou na vida monástica. Merton era um apaixonado e Gethsemani era uma primeira personificação da Divina Sabedoria que ele amaria e buscaria até o fim de sua vida. A sinceridade de sua busca espiritual refulge em cada página dessa obra, assim como suas lutas, seus fracassos e seu questionamento sobre a possibilidade de estar sendo chamado à vida completamente solitária, eremítica, dos cartuxos em vez da vida mais cenobiticamente orientada dos cistercienses trapistas. Mas, sobretudo, estava procurando a pureza de coração que conduz à contemplação, buscando a união com Deus que pode ser experimentada por meio da contemplação em conhecimento escuro, amoroso. (...)
Tornou-se uma obra rara, mas ainda podendo ser encontrada na Estante Virtual.

O Blog possui 7 postagens deste livro:
Caridade: Gratidão e misericórdia
Faça-se em mim segundo a tua palavra
Gostar do que Ele gosta
Sem objeções
Um sinal realizado por ti
Um sinal para nós
Vocare

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