05 dezembro 2005

O significado de minha vida

“ Tenho certeza de que o significado de minha vida é aquele que Deus quer para ela? Deus impõe de fora um significado para minha vida através de eventos, costumes, rotinas, leis, sistemas, choque com outros na sociedade? Ou sou chamado a criar a partir de dentro, junto com ele, com sua graça, um significado que reflete sua verdade e me faz ser a “palavra” dele falada livremente em minha situação pessoal?

Minha verdadeira identidade está escondida no chamado de Deus pela minha liberdade e resposta para ele. Isto significa que devo usar essa liberdade para amar, com toda responsabilidade e autenticidade, e não apenas recebendo uma forma que me é imposta por forças externas, ou moldando minha vida de acordo com padrões sociais aprovados, mas direcionando meu amor para a realidade pessoal de meu irmão, e abraçando a vontade de Deus em seu mistério nu e, muitas vezes, impenetrável. ”

Seeds, editado por Robert Inchausti
(Shambhala Publications: Boston & London), 2002. p. 132
Publicado originalmente in Cistercian Quarterly Review #18 (1983)
Reflexão da semana de 5-12-2005

28 novembro 2005

Conduzidos à santidade

“ Contentemo-nos em não sermos santos, ainda que compreendamos ser a santidade a única coisa para a qual vale a pena viver. Consentiremos então que Deus nos conduza à santidade por caminhos que não podemos compreender. Viajaremos na escuridão, onde não mais nos preocuparemos conosco nem faremos comparações entre nós e os outros. Os que seguiram esse caminho acabaram por descobrir que a santidade se encontra em tudo, e que Deus os envolve de todos os lados. Tendo desistido de todo desejo de competição com os outros, de repente despertam e descobrem que a alegria de Deus se encontra em toda parte, e são capazes de exultar, alegrando-se com as virtudes e a bondade dos outros, mais do que poderiam ter feito em se tratando de si próprios. Estão a tal ponto deslumbrados pelo reflexo de Deus na alma daqueles com quem convivem, que não têm mais poder algum para condenar qualquer coisa que vêem nos outros. Mesmo nos maiores pecadores conseguem ver virtudes e bondade que ninguém consegue ver. Quanto a si próprios, se ainda pensam em si, não ousam mais comparar-se aos outros. A idéia de fazê-lo tornou-se para eles fora de propósito, mas não é mais fonte de sofrimentos e lamentações; chegaram, enfim, ao ponto onde consideram sua própria insignificância como normal. Não estão mais interessados em seu eu exterior.”

New Seeds of Contemplation, de Thomas Merton.
(New Directions, New York), 1972. p. 59-60
No Brasil: Novas sementes de contemplação, (Editora Fissus, Rio de Janeiro), 2001. p. 65-66.
Reflexão da semana de 28-11-2005

21 novembro 2005

Criatividade

“ Toda a vida cristã destina-se a ser ao mesmo tempo profundamente contemplativa e rica em obra ativa. (…) É verdade que somos chamados a criar um mundo melhor. Mas somos chamados, antes de tudo, a uma tarefa mais imediata e mais elevada: a de criar as nossas próprias vidas. Ao fazer isso, agimos como cooperadores de Deus. Assumimos nosso lugar na grande obra do gênero humano, pois, com efeito, a criação de nosso próprio destino em Deus não pode ser feita em puro isolamento. Cada um de nós realiza o seu próprio destino em inseparável união com todos os outros com os quais Deus quis que vivêssemos. Partilhamos uns com os outros a obra criativa de viver no mundo. E é através da nossa porfia com a realidade material, com a natureza, que ajudamos uns aos outros a criar ao mesmo tempo nosso próprio destino e um mundo novo para os nossos descendentes.

Love and Living, de Thomas Merton
Editado por Naomi Burton Stone e Patrick Hart, OCSO
(A Harvest/HBJ Book, Harcourt Brace Jovanovich, San Diego), 1979. p. 177.
No Brasil: Amor e Vida, (Martins Fontes Editora, São Paulo), 2004. p. 186-187
Reflexão da semana de 21-11-2005

17 outubro 2005

Admiração por meus atos

“ O profundo mistério do meu ser freqüentemente me é oculto pelo conceito que faço de mim mesmo. A idéia que faço de mim mesmo é falsificada pela admiração que tenho por meus atos. E as ilusões que acalento a meu respeito são produzidas pelo contágio das ilusões de outros homens. Cada qual procura imitar a imaginária grandeza do outro.

Se não me conheço, é que penso ser a espécie de pessoa que meu círculo desejaria que eu fosse. Talvez nunca me tenha perguntado se realmente desejo ser aquilo que os outros parecem querer de mim. Se somente me desse conta de que não admiro o que todos parecem admirar, talvez começasse a viver realmente. Passaria a me ver liberto do doloroso dever de dizer o que realmente não penso e de agir de uma forma que atraiçoa a verdade de Deus e a integridade da minha alma.”

No Man is an Island, de Thomas Merton
(Harcourt, Brace Jovanovich Inc., New York), 1983. p. 125-126
No Brasil: Homem algum é uma ilha, (Verus Editora, Campinas), 2003. p. 115-116
Reflexão da semana de 17-10-2005

10 outubro 2005

Encontro com o outro

“ O amor é a revelação de nosso mais profundo valor, identidade e significação pessoal. Mas essa revelação permanece impossível enquanto formos prisioneiros de nosso egoísmo. Não posso me encontrar em mim mesmo, somente num outro. Meu verdadeiro sentido e valor me são mostrados não na avaliação que faço de mim mesmo, mas nos olhos daquele que me ama; e este deve me amar como sou, com minhas falhas e limitações, revelando-me a verdade de que essas falhas e limitações não podem destruir meu valor a seus olhos; e que tenho, portanto, valor como pessoa, a despeito de minhas falhas, a despeito das imperfeições do meu “pacote” exterior. O pacote não tem nenhuma importância. O que importa é essa mensagem infinitamente preciosa que só posso descobrir no meu amor por uma outra pessoa. E essa mensagem, esse segredo, não me é plenamente revelado a menos que, ao mesmo tempo, eu seja capaz de ver e compreender o valor único e misterioso daquele que amo.

Love and Living, de Thomas Merton
Editado por Naomi Burton Stone e Patrick Hart, OCSO
(A Harvest/HBJ Book, Harcourt Brace Jovanovich, San Diego), 1979. p. 35
No Brasil: Amor e Vida, (Martins Fontes Editora, São Paulo), 2004. p. 36-37
Reflexão da semana de 10-10-2005