Jamais encontraremos a solidão interior se não fizermos um esforço consciente para nos libertar dos desejos, preocupações e apegos de uma existência no tempo e no mundo.
07 maio 2018
23 abril 2018
União com o Pai
“As
obras do Filho decorrem de sua inefável união com o Pai, são sua expressão viva
e vivo testemunho. ‘Se não faço as obras do meu Pai, não me creiais. Mas se as
faço, mesmo que não me quisésseis crer, credes em minhas obras, a fim de que
saibais e conheçais que o Pai está em mim e que estou no Pai’ (Jo 10,37-38).”
(Vozes, 1959) pág. 24
16 abril 2018
Crescer no conhecimento e no amor
“Se
amamos o Santíssimo Sacramento e se nos comprazemos em passar o nosso tempo na
adoração desse formidável mistério de amor, não podemos deixar de procurar
aprofundar cada vez mais a caridade de Cristo. Não podemos tampouco deixar de
chegar a um conhecimento íntimo e pessoal de Jesus oculto sob os véus
sacramentais. Entretanto, à medida que crescemos no conhecimento e no amor dele,
necessariamente aumentará o nosso conhecimento do amor que Ele tem por nós.
Chegamos a compreender cada vez melhor com que seriedade Jesus quer que tomemos
o seu ‘mandamento novo’ de nos amarmos uns aos outros como Ele nos amou.”
(Vozes, 1963) pág. 162
09 abril 2018
Ressurreição e o mistério da cruz
A ressurreição de Cristo é, portanto, o coração da fé cristã. Sem ela, a morte de Jesus na cruz não passa de uma tragédia do homem honesto – a morte de um Sócrates judeu. Sem a ressurreição, o ensinamento de Jesus é simplesmente uma coleção de fragmentos incoerentes, com uma vaga referência moral. Os Evangelhos perdem o principal do seu sentido.
(…)
Quem pretende penetrar no coração do cristianismo e aí beber das águas vivas que trazem alegria à cidade de Deus (cf. Sl 45,5), deve entrar nesse mistério. E o mistério da ressurreição é simplesmente a consumação do mistério da cruz.
(…)
Quem pretende penetrar no coração do cristianismo e aí beber das águas vivas que trazem alegria à cidade de Deus (cf. Sl 45,5), deve entrar nesse mistério. E o mistério da ressurreição é simplesmente a consumação do mistério da cruz.
(Verus, 2003) pág. 160 e 161
02 abril 2018
Merton no Brasil?
Qual não foi nossa alegria ao recebermos, em março de 1968, numa carta em que mais uma vez indicava o dia em que celebraria a missa por nós e por todos os seus amigos brasileiros, esta boa notícia: “É possível que, com a autorização de nosso novo jovem Abade, eu possa visitar o Brasil… Mas se isso puder ser feito de maneira muito discreta, sem publicidade e sem que eu tenha que falar em público, etc. É possível que eu possa viajar para visitar comunidades e encontrar-me com pessoas, sem no entanto envolver-me em nada de público. Isso depende, porém, de muitas outras coisas. Reze por essas intenções”.
Ir. Maria Emmanuel de Souza e Silva, OSB
(Vozes, 2003) pág. 56
26 março 2018
Semana Santa
(...) o mistério da Páscoa não é celebrado apenas na Páscoa,
mas todos os dias do ano, porque a Missa é o mistério Pascal. O Tempo da
Paixão, a Semana Santa, a Páscoa e os “cinquenta dias santificados” do ciclo
pascal culminando na celebração de Pentecostes concorreram para desdobrar os
Mistério Pascal diante de nós no tempo, em todos os seus pormenores. Todavia, a
plenitude da Sexta-feira Santa, Páscoa e Pentecostes também se condensa no
ritmo da Missa cotidiana. Pois, todas as vezes que participamos dos Sagrados
Mistérios, a Pascha Domini (a
Passagem do Senhor), morremos com Cristo, com Ele ressuscitamos e d’Ele recebemos
o Espírito da Promessa que nos transforma e nos une ao Pai, no Filho e através
d’Ele.
(Vozes, 1968) pág. 147 e 148
12 março 2018
Uma Palavra transformadora
“A Palavra de Deus é, portanto, capaz de dar provas de autenticidade pelo seu poder transformador que opera uma invasão de amor, unidade, paz, compreensão mútua e liberdade, onde havia antes preconceito, conflito, ódio, divisão e ganância.”
(Vega, 1975) pág. 11
05 março 2018
Perdoar de coração
“Alguns são apenas virtuosos o suficiente para esquecer que são pecadores sem se sentirem infelizes o suficiente para lembrar quanto necessitam da misericórdia de Deus”
(Verus, 2003) pág. 179
26 fevereiro 2018
Quem se exalta será humilhado...
“As pessoas que tentam orar e meditar acima do seu próprio nível, que se mostram demasiadamente desejosas de alcançar o que creem ser ‘um elevado grau de oração’, afastam-se da verdade e da realidade. Ao observarem-se a si próprias e ao tentarem convencer-se de seus progressos, tornam-se prisioneiras de si mesmas. Quando então percebem que a graça delas se afasta, permanecem presas em seu próprio vazio, na inutilidade de seus esforços e ficam desamparadas. A acedia substitui o entusiasmo do orgulho e da vaidade espiritual. Um longo tirocínio no caminho da humildade e da compunção, eis o remédio!”
(Agir, 1972) pág. 62
19 fevereiro 2018
A noite dos sentidos
“A vida de contemplação infusa nem sempre começa com uma experiência nítida de Deus numa luz forte, penetrante. (...) Não é muito difícil reconhecer esses repentinos e intensos lampejos de compreensão, esses vívidos ‘raios de escuridão’ que penetram profundamente na alma e mudam todo o rumo de uma vida.
Mas se fosse preciso esperar uma dessas experiências vívidas antes de se tornar contemplativo, talvez fosse necessário esperar muito tempo – quem sabe a vida inteira. E essa espera talvez fosse em vão.”
Mas se fosse preciso esperar uma dessas experiências vívidas antes de se tornar contemplativo, talvez fosse necessário esperar muito tempo – quem sabe a vida inteira. E essa espera talvez fosse em vão.”
(Vozes, 2017) pág. 215
12 fevereiro 2018
Esvaziando a vontade
“É verdade termos de tratar com Deus, a maior parte do tempo, como se fora Ele um ‘objeto’, isto é, considerando-O por conceitos que O apresentam a nós objetivamente. No entanto, como todos sabem, só conseguimos conhecer realmente a Deus quando O encontramos, ‘pelo amor’, escondido ‘em nós’, isto é, ‘por conaturalidade’. Todavia, paradoxalmente, não podemos achar a Deus ‘dentro de nós mesmos’ se não ‘saímos de nós mesmos’ pelo sacrifício. Só um amor sacrifical que nos torne capazes de nos largarmos a nós mesmos inteiramente, esvaziando-nos de nossa própria vontade, pode habilitar-nos a encontrar o Cristo no lugar ocupado anteriormente pelo nosso próprio ‘eu’.”
(Agir, 1963) pág. 122
05 fevereiro 2018
Nada te pertube
"A última coisa no mundo que deveria preocupar um cristão ou a Igreja é a sobrevivência num sentido temporal e mundano. Preocupar-se com isso é uma negação implícita da vitória de Cristo e da Ressurreição"
(Vozes, 1970) pág. 145
29 janeiro 2018
Saber discernir
“A tarefa da razão, iluminada pela graça e aperfeiçoada pelas virtudes infusas, é assegurar a clara distinção entre a tentação e a luz da graça, entre força da emoção e o instinto de amor sobrenatural, entre as fantasias da imaginação e as luzes do Espírito Santo.”
(Itatiaia, 1999) pág. 135
22 janeiro 2018
Uma questão íntima
“O profundo mistério do meu ser frequentemente me é oculto pelo conceito que faço de mim mesmo. A ideia que faço de mim mesmo é falsificada pela admiração que tenho por meus atos. E as ilusões que acalento a meu respeito são produzidas pelo contágio das ilusões de outros homens. Cada qual procura imitar a imaginária grandeza do outro.”
(Verus, 2003) pág. 115
17 janeiro 2018
As sementes aladas
Cada momento e cada acontecimento na vida de cada homem na terra planta algo em sua alma. Pois, assim como o vento leva milhares de sementes aladas, assim também cada instante traz consigo germes de vitalidade espiritual que vão pousar imperceptivelmente no espírito e na vontade dos homens. A maioria dessas inumeráveis sementes perece e se perde porque os homens não estão preparados para recebê-las: sementes como essas só podem germinar na terra da liberdade, da espontaneidade, do amor.
Essa ideia não é nova. Na Parábola do Semeador, Cristo nos disse há séculos que “a semente é a Palavra de Deus”. Muitas vezes pensamos que isso só se aplica à palavra do Evangelho formalmente pregada nas igrejas aos domingos (se é que ainda é pregada nas igrejas!). Mas toda a expressão da vontade de Deus é, em certo sentido, uma “palavra” de Deus e, portanto, uma “semente” de vida nova.
Novas Sementes de Contemplação
(Vozes, 2017) pág. 29
08 janeiro 2018
Tão secreto quanto Deus
"O eu interior é tão secreto quanto Deus e, como Ele, escapa a todo conceito que pretenda captá-lo completa e totalmente; é uma vida que não pode ser tomada e estudada como um objeto, porque não é 'uma coisa'. Não se pode alcançá-lo, nem persuadi-lo a se manifestar por nenhum processo natural, mesmo a meditação. Tudo que podemos fazer, por meio de qualquer disciplina espiritual, é produzir em nós mesmos algo de silêncio, de humildade, de desapego, de pureza de coração e impassibilidade, que são elementos necessários para que o eu interior nos dê uma tímida e imprevisível manifestação de sua presença."
(Martins Fontes, 2007) pág. 12
01 janeiro 2018
Propósito para um novo ano
"Agradamos a Deus não por nossos sentimentos de fervor, e sim pelo sacrifício de nossa vontade própria. Não são nossas palavras doces que Ele quer, mas o nosso amor, em atos e em verdade."
25 dezembro 2017
O indestrutível cerne de esperança
“O
amor não é algo que ganhemos da Santa Igreja como se fôssemos uma
criança se alimentando no seio da mãe: também tem de ser doado. Não
receberemos amor se não formos capazes de oferecê-lo.
O Natal, portanto, não é apenas
um doce retorno ao leite materno e à infância. É uma festa séria e,
algumas vezes, difícil. Difícil particularmente se, por motivos
psicológicos, não conseguimos assimilar seu indestrutível cerne de
esperança nele contido. Se estivermos buscando apenas uma pequena
consolação, poderemos nos desapontar.”
Thomas Merton, Natal de 1967
extraído de The Road to Joy, Letters
(Farrar, Straus, Giroux Publishers, 1989) p. 108
(Farrar, Straus, Giroux Publishers, 1989) p. 108
18 dezembro 2017
Nós que vimos a luz de Cristo...
... somos
obrigados, pela grandeza da graça que nos foi dada, a tornar conhecida a
presença do Salvador até os confins da terra. Isso faremos não só
pregando a boa-nova de sua vinda, mas, sobretudo, revelando-O em nossas
vidas. Cristo nasceu para nós hoje para que pudesse aparecer ao mundo
todo por nosso intermédio.
(Vozes, 1968) p. 115
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| Sieger Köder |
11 dezembro 2017
Propósitos de vida
“Dá-me a humildade – somente nela se encontra o repouso – e liberta-me do orgulho, o mais pesados dos fardos. (...) Nisso consiste, portanto, buscar a Deus com perfeição: afastar-se da ilusão e do prazer, das ansiedades e desejos mundanos, dos trabalhos que Deus não quer, da glória que é apenas exibicionismo humano; manter minha mente livre de confusão para que minha liberdade esteja sempre à disposição de sua vontade; manter silêncio no coração para ouvir a voz de Deus; cultivar a liberdade intelectual em relação às imagens de coisas criadas para receber o contato secreto de Deus em obscuro amor; amar todas as pessoas como a mim mesmo; repousar na humildade e encontrar paz afastando-me de todo conflito e concorrência com os outros...”
(Vozes, 2017) pág. 54
Traduzido por Irmã Maria Emmanuel, OSB e revisado por Sieni Campos, esta reedição está no rol dos clássicos tratados espirituais sobre a vida contemplativa. Escrito a partir da antiga herança cistercience e da própria experiência no claustro, Thomas Merton conduz o leitor pela mão com a maestria de quem já percorreu o caminho, alertando acerca das armadilhas do falso-eu e apontando o caminho da união de vontades para atingir "a mais alta expressão de vida intelectual e espiritual do homem".
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