Quando penso em tudo isso, impressiona-me o tremendo peso da responsabilidade moral que os pais católicos têm sobre os ombros por não enviarem seus filhos a escolas católicas. Os que não pertencem à Igreja não entendem isso. E nem poderiam. Na opinião deles toda essa insistência nas escolas católicas é apenas uma estratégia de ganhar dinheiro e pela qual a Igreja tenta aumentar seu domínio sobre as consciências dos fiéis e sua própria prosperidade material. E, naturalmente, a maioria dos católicos pensam que a Igreja é muito rica e que todas as instituições católicas faturam alto, que todo o dinheiro é guardado em algum lugar para comprar pratos e talheres de ouro e prata para o Papa e charutos caros para o colégio dos cardeais.
Não admira que não haja paz num mundo em que se faz todo o possível para garantir que a juventude de todos os países cresça sem qualquer moral e disciplina religiosa, sem a sombra duma vida interior, ou daquela espiritualidade, caridade e fé que - e tão somente elas - podem salvaguardar os tratados e acordos feitos pelo governo.
E católicos, milhares de católicos de todas as partes do mundo têm a consumada audácia de chorar e lamentar o fato de Deus não ouvir suas preces pela paz. Eles desprezaram não só sua vontade, mas também os ditames comuns da razão e da prudência naturais, deixando seus filhos crescer conforme os padrões de uma civilização de hienas."
The Seven Storey Mountain, de Thomas Merton
(Harcourt, Brace, New York), 1948
No Brasil: A montanha dos sete patamares, (Editora Vozes, Petrópolis), 2005, p. 51
(Harcourt, Brace, New York), 1948
No Brasil: A montanha dos sete patamares, (Editora Vozes, Petrópolis), 2005, p. 51