13 agosto 2018

Voltar ao Pai

“Uma coisa é importante acima de tudo mais: ‘voltar ao Pai’. O Filho veio ao mundo e morreu por nós, ressuscitou e subiu para o Pai. Enviou-nos o Espírito Santo para que Nele e com Ele pudéssemos voltar ao Pai.

Sim, para que pudéssemos passar completamente para além da névoa de tudo que é transitório e inconclusivo: Voltar ao Imenso, ao Primordial à Fonte, ao Inconhecido, àquele que ama e conhece, ao Silencioso, ao Misericordioso, ao Santo, Àquele que é tudo.

Procurar algo, preocupar-se com algo fora disso, é loucura e enfermidade. Pois isso é o sentido pleno e o cerne de toda existência. E é nisso que todos os negócios de nossa vida e todas as necessidades do mundo e dos homens tomam seu sentido certo. Tudo aponta para essa única grande volta à Fonte.”


(Vozes, 1970) pág. 198

06 agosto 2018

Receita para a liberdade

"Ser pouco, ser nada, alegrar-me com minhas imperfeições, sentir-me feliz por não ser digno de atenção, por não ter nenhuma importância no universo. Esta é a única libertação. O único caminho para a verdadeira solidão."

(Mérito, 1954) pág. 131

23 julho 2018

Louvar a Deus!

"Saberemos o que significa louvar, adorar, da glória?

Hoje em dia, ‘louvar’ não é coisa que custe por aí além. Tudo é louvado, desde o sabão à cerveja, da pasta de dentes às roupas, dos colutórios às estrelas de cinema e a todo tipo de aparelhagem que, assim se crê, há-de tornar-nos a vida mais cômoda. A tal ponto e com tal insistência sobem de tom os encomios, que não há quem se não sinta infartado deles. Uma vez que tudo é louvado (com tão falsos entusiasmos, como os dos locutores de rádio), forçoso é concluir que, ao fim e ao cabo, nada é louvado. O louvor converteu-se em algo vazio e desinteressante.

Sobrou algum superlativo para Deus? Não; todos foram gastos nos gêneros alimentícios, nos falsos remédios. Não ficou nenhuma palavra para exprimir a nossa adoração ao único que é Santo, ao único que é Senhor."

Rezar os Salmos
Editorial Franciscana, Portugal, pág. 13

17 julho 2018

O clima da oração monástica

"O clima em que a oração monástica floresce é o clima do deserto¹ onde falta ao homem o conforto, onde a segurança das rotinas das cidades do homem não oferece apoio e onde a oração tem de ser sustentada por Deus, na fé pura. Embora possa viver numa comunidade, o monge terá de explorar a aridez de seu ser íntimo como um solitário. A Palavra de Deus, que é seu conforto, é também sua desolação. A liturgia que é a alegria do monge e que lhe revela a glória do Senhor, não pode encher um coração que não foi primeiro humilhado e esvaziado pelo temor. Aleluia é o canto do deserto".

1.    Isaías 35, 1-10

(Agir, 1972) pág. 47

09 julho 2018

O problema da Parusia

... permanece o grande problema do cristianismo. E é evidente, não se trata absolutamente, em si, de um problema. O reino já está estabelecido, porém, não definitivamente manifestado - permanecemos num tempo de desenvolvimento, de opção e de preparação.

 (Vozes, 1970) pág.142