16 janeiro 2017

O caminho obscuro da contemplação

“Está dentro das possibilidades do homem crer em Deus (sempre com Sua graça). Mas ‘ver’ a Deus nas trevas da contemplação é mais do que ele pode alcançar. É mais do que pode alcançar ordinariamente com as graças diárias da vida cristã. É dom de Deus. Mas um dom que não está reservado apenas a uns poucos. É dom que pode ser dado a qualquer um.”
(Itatiaia, 1962) pág. 53

09 janeiro 2017

Renove a fé no ano novo - parte 2

“Para impedir o perigo dessa paralisia espiritual, o Santo Padre (Pio XII) estimula os cristãos a renovarem o fervor da fé e a cultivarem a vida interior. Devemos, para conseguir esse fim, ler, orar, meditar; devemos procurar todo possível contato com Deus que enviou Seu Filho ao mundo para libertar os homens da frieza e da vaidade das formas de religião puramente humanas.


Insistindo de modo particular sobre o valor da meditação, o Papa Pio XII escreveu:

‘Acima de tudo mais, a Igreja nos exorta à prática da meditação, que eleva a mente à contemplação das coisas celestes, inflama o coração no amor de Deus e o guia no caminho reto até Ele (Menti Nostrae, 44). (...) Do mesmo modo que o desejo da perfeição sacerdotal é nutrido e fortalecido pela meditação cotidiana, a omissão desta prática é a fonte do tédio pelas coisas espirituais... Necessário é, portanto, declarar sem restrição que nenhum outro meio tem a singular eficácia da meditação e que, em consequência, a prática cotidiana desta não pode, de modo algum, ser substituída.’ (Menti Nostrae, 46)”.

O pão vivo 
(Vozes, 1963), pág. 24

02 janeiro 2017

Renove a fé no ano novo - parte 1

“Nada contribui tanto para destruir nossa estima para com o Santíssimo Sacramento como a rotina. Celebrar a Missa automaticamente, aproximar-se dos sacramentos de maneira descuidada e distraída, é considerar os grandes dons e mistérios de Deus como se fossem objetos e fatos semelhantes a todas as coisas materiais que fazem parte de nossa vida. Em tais circunstâncias, nossa fé tende a degenerar em superstição e vã observância de preceitos; a tornar-se uma espécie de ceticismo prático, sob a aparência externa de piedoso conformismo. Deus, então, retira-se de nossa vida e essa ausência se torna patente a todos, menos a nós próprios. A grande tragédia do nosso tempo – se podemos ter a ousadia de dizê-lo – é que haja tantos cristãos sem Deus, isto é, cristãos cuja religião é questão de puro conformismo e conveniência. Para esses, a ‘fé’ pouco mais é que uma evasão permanente da realidade – uma acomodação com a vida. A fim de evitar a desagradável verdade de que não têm mais necessidade alguma, real, de Deus, nenhuma fé vital nele, conformam exteriormente sua conduta à de outros como eles. Esses ‘crentes’ se agrupam, oferecendo-se mutuamente uma aparente justificativa para vidas que são, essencialmente, semelhantes às de seus vizinhos materialistas, cujos horizontes são puramente os do mundo com seus valores transitórios.”
(Vozes, 1963), pág. 23-24

26 dezembro 2016

O mistério da Encarnação


“O cristianismo é mais que uma doutrina. É o próprio Cristo vivendo naqueles que uniu a si em um só Corpo Místico. É o mistério pelo qual a Encarnação do Verbo de Deus continua e se estende através dos séculos, penetrando nas almas e na vida de todos os homens, até a consumação final do plano de Deus. O cristianismo é a ‘restauração de todas as coisas em Cristo’ (Ef 1, 10)”

(Vozes, 1963) pág. 13

25 dezembro 2016

Gostar do que Ele gosta

25 de dezembro – Dia de Natal

“Ontem caiu a primeira neve de inverno e, à noite passada, antes da Missa de meia-noite, alguém me disse, com um furtivo sinal, que a neve estava caindo novamente. Assim, a manhã de hoje está linda, mas não apenas porque há muita neve. Ela está rala como o açúcar no mingau dos monges de menos de vinte e um anos que não podem jejuar, e a grama reponta por debaixo dela, em todos os lugares. Nem está bela a manhã porque o céu brilhe, pois está escuro. Faz bonito dia porque é Natal.

(...) Mas o Natal nos é dado para que possamos amar a espécie de humildade que é amor e inclui contrariedades, dificuldades e todas as outras coisas, com alegria. Talvez Ele me dê alguma parte da alegria que sente em estar na manjedoura. Como posso dizer que O amo até que venha a gostar do que Ele gosta? ”

(Mérito, 1954) pág. 166-167