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16 outubro 2017

Como nos dirigimos a Deus?


"Como o homem é, assim ele reza. É pelo modo de falarmos a Deus, que nós nos fazemos aquilo que somos."
(Agir, 6ª Ed. 1976), pág. 55

13 março 2017

E quem se humilha, será exaltado

“Se não formos capazes de humildade, não teremos capacidade para a alegria, pois só a humildade consegue destruir o egocentrismo que torna a alegria impossível.”
(Fisus, 1999), pág. 180

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And he that humbleth himself shall be exalted
If we are incapable of humility, we would be incapable of joy, because humility alone can destroy the self-centeredness that makes joy impossible.
New seeds of contemplation, ed.New Directions
Paperbook, 27ª ed., 1972, p.197.

Y el que se humilla será ensalzado

Si somos incapaces de ser humildes, no podremos vivir en la alegría, porque sólo la humildad es capaz de destruir el egocentrismo que impossibilita la alegría.
 Nuevas semillas de contemplación,
ed. Sal Terrae

30 janeiro 2017

Necessidade imperiosa

Numa época em que tanto se fala “seja você mesmo”, reservo-me o direito de me esquecer de ser eu, já que em todo caso há muita pouca chance de eu ser um outro. Antes, parece-me que, quando alguém se preocupa demais em “ser ele mesmo”, corre o risco de personificar uma sombra.

 
(...) Todos nós vivemos, e isso é tudo, desse ou daquele modo. Ser livre para abraçar a necessidade de minha própria natureza é para mim uma necessidade imperiosa.



Existo embaixo das arvores. Ando nas matas por necessidade. Tanto sou um prisioneiro como um prisioneiro que escapou. Não sei lhe dizer por que, nascido na França, minha viagem termina aqui no Kentucky.
(Fisus, 2001) pág. 277

23 janeiro 2017

Contemplação e teologia

“Muitos não-cristãos, e possivelmente muitos cristãos protestantes, provavelmente supõem que a intensa preocupação dos primeiros Padres da Igreja com detalhes técnicos do dogma da encarnação era fruto de uma obstinação arbitrária e subjetiva e que tinha muito pouca importância objetiva. Mas, na verdade, as complexidades da cristologia e do dogma da união hipostática não constituem, de maneira nenhuma, uma rede autoritária projetada para capturar a mente e manter em sujeição a vontade dos fiéis, como o racionalismo está sempre pronto a declarar. Tanto o teólogo quanto o crente comum da era patrística tinham consciência da importância da correta formulação teológica do mistério da encarnação, porque um erro em matéria de dogma teria de fato desastrosas consequências práticas na vida espiritual de cada indivíduo cristão.”
(Martins Fontes, 2007), pág. 54

09 janeiro 2017

Renove a fé no ano novo - parte 2

“Para impedir o perigo dessa paralisia espiritual, o Santo Padre (Pio XII) estimula os cristãos a renovarem o fervor da fé e a cultivarem a vida interior. Devemos, para conseguir esse fim, ler, orar, meditar; devemos procurar todo possível contato com Deus que enviou Seu Filho ao mundo para libertar os homens da frieza e da vaidade das formas de religião puramente humanas.


Insistindo de modo particular sobre o valor da meditação, o Papa Pio XII escreveu:

‘Acima de tudo mais, a Igreja nos exorta à prática da meditação, que eleva a mente à contemplação das coisas celestes, inflama o coração no amor de Deus e o guia no caminho reto até Ele (Menti Nostrae, 44). (...) Do mesmo modo que o desejo da perfeição sacerdotal é nutrido e fortalecido pela meditação cotidiana, a omissão desta prática é a fonte do tédio pelas coisas espirituais... Necessário é, portanto, declarar sem restrição que nenhum outro meio tem a singular eficácia da meditação e que, em consequência, a prática cotidiana desta não pode, de modo algum, ser substituída.’ (Menti Nostrae, 46)”.

(Vozes, 1963) pág.24

02 janeiro 2017

Renove a fé no ano novo - parte 1

“Nada contribui tanto para destruir nossa estima para com o Santíssimo Sacramento como a rotina. Celebrar a Missa automaticamente, aproximar-se dos sacramentos de maneira descuidada e distraída, é considerar os grandes dons e mistérios de Deus como se fossem objetos e fatos semelhantes a todas as coisas materiais que fazem parte de nossa vida. Em tais circunstâncias, nossa fé tende a degenerar em superstição e vã observância de preceitos; a tornar-se uma espécie de ceticismo prático, sob a aparência externa de piedoso conformismo. Deus, então, retira-se de nossa vida e essa ausência se torna patente a todos, menos a nós próprios. A grande tragédia do nosso tempo – se podemos ter a ousadia de dizê-lo – é que haja tantos cristãos sem Deus, isto é, cristãos cuja religião é questão de puro conformismo e conveniência. Para esses, a ‘fé’ pouco mais é que uma evasão permanente da realidade – uma acomodação com a vida. A fim de evitar a desagradável verdade de que não têm mais necessidade alguma, real, de Deus, nenhuma fé vital nele, conformam exteriormente sua conduta à de outros como eles. Esses ‘crentes’ se agrupam, oferecendo-se mutuamente uma aparente justificativa para vidas que são, essencialmente, semelhantes às de seus vizinhos materialistas, cujos horizontes são puramente os do mundo com seus valores transitórios.”
(Vozes, 1963), pág. 23-24

26 dezembro 2016

O mistério da Encarnação


“O cristianismo é mais que uma doutrina. É o próprio Cristo vivendo naqueles que uniu a si em um só Corpo Místico. É o mistério pelo qual a Encarnação do Verbo de Deus continua e se estende através dos séculos, penetrando nas almas e na vida de todos os homens, até a consumação final do plano de Deus. O cristianismo é a ‘restauração de todas as coisas em Cristo’ (Ef 1, 10)”

(Vozes, 1963) pág. 13

25 dezembro 2016

Gostar do que Ele gosta

25 de dezembro – Dia de Natal

“Ontem caiu a primeira neve de inverno e, à noite passada, antes da Missa de meia-noite, alguém me disse, com um furtivo sinal, que a neve estava caindo novamente. Assim, a manhã de hoje está linda, mas não apenas porque há muita neve. Ela está rala como o açúcar no mingau dos monges de menos de vinte e um anos que não podem jejuar, e a grama reponta por debaixo dela, em todos os lugares. Nem está bela a manhã porque o céu brilhe, pois está escuro. Faz bonito dia porque é Natal.

(...) Mas o Natal nos é dado para que possamos amar a espécie de humildade que é amor e inclui contrariedades, dificuldades e todas as outras coisas, com alegria. Talvez Ele me dê alguma parte da alegria que sente em estar na manjedoura. Como posso dizer que O amo até que venha a gostar do que Ele gosta? ”

(Mérito, 1954) pág. 166-167

19 dezembro 2016

Pertenço à solidão

13 de dezembro de 1958. Santa Luzia

“(...) A opressiva mistura de objetos, bens, atividades destituídos de significação – a caótica e indiscriminada sucessão de ‘coisas’ boas, más e insignificantes que desabam sobre você a todo instante livros, revistas, comida, bebida, mulheres, cigarros, roupas, brinquedos, carros, drogas. Somem-se a isso a ‘decoração’ da cidade para o Natal, anônima e descaracterizada, e as pessoas a correr de um lado para outro comprando coisas, por uma única e exclusiva razão, que é a de estarmos agora numa época em que todo mundo compra coisas.

Andando por Bardstown, fora da Kroger’s, no frio, saudado por homem, mulher e criança. Pensei que nunca, nunca eu poderia encontrar sentido na vida fora do mosteiro. Sou um solitário e isso é tudo. Gosto bastante de pessoas, mas pertenço à solidão.

Foi bom voltar e cheirar o ar doce das matas e ouvir o silêncio”.
Merton na intimidade
(Fissus, 2001) pág. 152-153

05 dezembro 2016

Não se perca nenhum desses pequeninos

“Não vamos para o deserto com o intuito de fugir das criaturas e sim para aprender como encontrá-las. Não nos separamos delas com o fim de não mais nos interessarmos por elas, mas para encontrar o melhor modo de lhes fazer bem.”

(Fissus, 1999) pág. 83

21 novembro 2016

Eis minha mãe e meus irmãos

desenho de Thomas Merton

“(...) Mostra-nos o vosso Cristo, Senhora, depois deste nosso exílio, sim, mas mostra-O agora também a nós aqui, enquanto ainda somos peregrinos.(...)

Ó Senhor, como devem ser alegres e felizes aqueles que, ao considerar a si próprios, não encontram neles nada mesmo de especial. (...) Eles são pobres em espírito e possuem dentro de si próprios o reino do céu, pois deixaram de ser notáveis até para si próprios. Mas neles brilha a luz de Deus e eles mesmos e todos que a vêem, Te glorificam, Ó Deus!”

Diálogos com o silêncio, Thomas Merton 
(Editora Fissus, 2003) pág. 25 e 155

07 novembro 2016

Servos inúteis

“Mas, enquanto fingimos viver em pura autonomia, como senhores de nossa vida, sem mesmo um deus que nos governe, seremos inevitavelmente como o servidor de outro homem ou como o membro alienado de uma organização. Paradoxalmente, quando aceitamos a Deus é que nos tornamos livres, libertando-nos da tirania humana, pois quando o servimos não nos é mais permitido alienar nosso espírito em servidão humana. Deus não convidou os filhos de Israel a deixar a escravidão do Egito; ordenou que o fizessem.”
(Editora Fissus, 1999) pág. 113


Moisés e os hebreus cruzando o Mar Vermelho perseguidos pleo Faraó
Afresco em parede na sinagoga de Dura-Europos (atual Siria). 303 aC-256 dC

24 outubro 2016

De Merton a Martin: Uma canção profética

Thomas Merton e Martin Luther King. Em comunhão no Cristo
“Os impulsos profundos e elementares que conduzem a uma transmutação social têm a sua origem no âmago do coração dos homens cujos pensamentos ainda não foram articulados ou ainda não conseguiram ser ouvidos, e cujas exigências, por conseguinte, são ainda ignoradas, suprimidas e tratadas como se não existissem. Nenhuma revolução existe sem uma voz. A paixão dos oprimidos tem de se fazer ouvida, ao menos entre eles próprios, a despeito da insistência do opressor privilegiado ao afirmar que tais exigências não podem ser reais, nem justas, nem urgentes. Quanto mais é ignorado o clamor dos oprimidos, mais se reforça a si próprio com um poder misterioso que lhe é acrescentado pelo mito, pelo símbolo e pela profecia. Não há revolução sem poetas que sejam também videntes. Não há revolução sem canções proféticas.”
Sementes de destruição, Thomas Merton (Ed. Vozes), 1966, pág. 74 

17 outubro 2016

A messe é grande...

Thomas Merton e Catherine de Hueck Doherty, a Baronesa em
torno do centro comum, o Cristo
“Vendo aqueles rapazes e moças na biblioteca, comecei a perceber um pouco do problema do Harlem. Aqui, logo do outro lado da rua, eu vi a solução, a única solução: fé, santidade. E não era preciso ir longe para encontrá-las.

Se a Baronesa, dando seu tempo, deixando as crianças ensaiar peças, oferecendo-lhes algum lugar onde pudessem ao menos ficar fora da rua, fora da passagem dos caminhões, conseguia reunir em torno dela almas como dessas santas mulheres e formar, em sua organização, outras que eram igualmente santas, fossem elas brancas ou de cor, não tinha apenas realizado seu ideal, mas poderia também, pela graça de Deus, transfigurar a face do Harlem. Tinha diante de si várias medidas de farinha e já havia à disposição um pouquinho de fermento. Conhecemos a maneira de Cristo operar. Não importa quão impossível a coisa possa parecer do ponto de vista humano; podemos acordar um dia e constatar que toda a massa está fermentada. Isso pode ser feito com santos!

Quanto a mim, soube logo que era bom estar ali e, por duas ou três semanas, apareci todas as noites; jantava com a pequena comunidade no apartamento e depois recitávamos em inglês as Completas, dispostos em dois coros na sala estreita. Era a única vez que faziam algo que as assemelhava a uma comunidade religiosa, mas nada havia de formalmente litúrgico. Era uma iniciativa totalmente familiar.

Depois disso dedicava-me, por duas ou três horas, à tarefa do que eufemisticamente se chamava ‘tomar conta dos aprendizes’. Eu ficava no armazém, onde era sua sala de jogos, tocava piano mais para mim do que por outra coisa e procurava, por algum tipo de influência moral, manter a paz e prevenir alguma briga mais séria (...). Mas na maior parte do tempo tudo era paz. Jogavam pingue-pongue e monopólio. Para um garotinho eu cheguei a desenhar uma imagem da Santíssima Virgem.”
A montanha dos sete patamares, Thomas Merton (Editora Vozes), 2ª Edição, 2010, pág. 315

03 outubro 2016

Vai e faze a mesma coisa

 
O bom samaritano  -  Vincent Van Gogh
“A Igreja, que Cristo ‘comprou com seu sangue’ (At 20,28), é chamada a manter vivo na terra esse insubstituível clima de misericórdia, verdade e fé, no qual a alegria criativa e doadora de vida da reconciliação em Cristo não só permanece sempre possível, como é uma realidade contínua e sempre renovada. Esse poder da misericórdia, reconciliação e união em Cristo é identificado ao poder que ressuscitou o Próprio Senhor dentre os mortos (Ef 1,19-20; 2,4-6) e venceu o ‘poder’ dos arcontes, os tiranos espíritos que regem ‘este mundo de trevas’ e dominam os filhos da descrença e da desobediência (Ef 2,2). O poder da misericórdia é o poder que nos faz um em Cristo, destruindo todas as divisões (Ef 2, 14-18).”
Amor e vida, Thomas Merton (Editora Martins Fontes), 1ª Edição 2004, pág. 222

26 setembro 2016

Aquele que dentre vós for o menor, esse é o maior

São Pedro penitente - Guido Reni
“O silêncio interior é impossível sem a misericórdia e a humildade.”

Na liberdade da solidão, Thomas Merton (Ed. Vozes), 7ª Ed. 2014, pág. 60

19 setembro 2016

A lâmpada que deve brilhar

“Eu tinha certo receio de todas as regras religiosas como um todo, e este novo passo para o mosteiro não era algo que eu daria apressadamente. Ao contrário, minha mente estava cheia de dúvidas sobre o jejum, a clausura, as longas orações, a vida comunitária, a obediência monástica, a pobreza, etc. E havia muitos fantasmas estranhos dançando nas portas da minha imaginação, todos prontos a entrar, se eu o permitisse. Caso o permitisse, eles me mostrariam como ficaria demente no mosteiro, como minha saúde se abalaria e meu coração baquearia; eu entraria em colapso, seria reduzido a frangalhos e voltaria ao mundo qual destroço moral e físico, sem qualquer esperança. (...)
Tão logo comecei a jejuar, a recusar a mim mesmo certos prazeres e a dedicar tempo à oração, à meditação e aos outros exercícios que fazem parte da vida religiosa, descobri que superava rapidamente minha má saúde, tornava-me saudável, forte e imensamente feliz.”
A montanha dossete patamares, Thomas Merton (Ed. Vozes), 2ª Ed. 2010, pág. 237-238

12 setembro 2016

No limiar do desespero

“Como Deus está próximo de nós, quando, reconhecendo e aceitando a nossa abnegação, lançamos inteiramente em suas mãos os nossos cuidados! Contra toda a expectativa humana, Ele nos sustenta quando é preciso, ajudando-nos a fazer o que parecia impossível. Aprendemos, então, a conhecê-Lo não nessa ‘presença’ que se acha em abstratas considerações (...) mas no vazio de uma esperança que pode chegar ao limiar do desespero. (...) A esperança está sempre prestes a converter-se em desespero, mas sem nunca chegar, porque, no instante supremo da crise, o poder de Deus se perfaz, de repente, em nossa fraqueza.”
Homem algum é uma ilha, Thomas Merton, (Ed. Agir) 5ª Edição, 1968, pág. 172

22 agosto 2016

Alegra-te, cheia de graça...

A Anunciação - por Fra Angélico 
“Tardinha. O sossego da tarde está repleto de uma tonalidade bem diferente. O sol fez seu percurso e o quarto está mais escuro. Momento sério. A hora está mais saturada. Faço uma pausa para rezar e olho a imagem da Anunciação, por Fra Angélico, num cartão postal, em clima de fim do Advento que hoje é. Ecce completa sunt omnia quae dicta sunt per angelum de Virgine Maria. Veja, são cumpridas todas as coisas sobre as quais o anjo falara à Virgem Maria – isso foi a antífona após o Benedictus nesta manhã. Durante mais ou menos oito minutos fiquei em silêncio e imóvel e escutava meu relógio e me perguntei se talvez eu pudesse entender algo da obra que Nossa Senhora está preparando. A hora é de uma tremenda expectativa.”
Diálogos com o silêncio – Orações & Desenhos, Thomas Merton
Editado por Jonathan Montaldo – Traduzido por René Bucks (Ed. Fisus), 2003, pág. 145

15 agosto 2016

Em busca de paz - Parte 2

10 de agosto de 1965 – São Lourenço

(Ando assustado com a espantosa clareza da argumentação de Anselmo em De Casu Diaboli. Uma visão da liberdade que é essencialmente monástica, i.e., contida na perspectiva de uma vocação e graça inteiramente pessoais.) A necessidade de oração – a necessidade de sólida alimentação teológica, pela Bíblia, pela tradição monástica. Não experimentação nem diletantismo filosófico. A necessidade de ser inteiramente definido por uma relação com e uma orientação para Deus meu Pai, i.e., uma vida de filiação na qual tudo que distrai dessa relação é visto como absurdo e tolo. Quão real é isto! Uma realidade que devo estar constantemente avaliando, que não pode simplesmente ser tomada por certa. Que não pode perder-se em distrações. Aqui a distração é fatal – leva-nos inexoravelmente ao abismo. Não se requer porém concentração, apenas estar presente. E também trabalhar com seriedade em tudo que há para ser feito – cuidar do jardim do paraíso! Pela leitura, a meditação, o estudo, a salmodia, o trabalho manual e também um pouco de jejum etc. Acima de tudo trabalho da esperança, não a estúpida e frouxa autopiedade do tédio, da acedia.
Merton na intimidade – Sua vida em seus diários,Thomas Merton
Editado por Patrick Hart e Jonathan Montaldo – Traduzido por Leonardo Fróes (Ed. Fisus), 2001, pág. 290-291