19 março 2007

O paradoxo do personalismo cristão

“ É precisamente por ser pública, no sentido clássico da palavra, ou ‘política’, que a liturgia permite que descubramos e expressemos o sentido mais profundo do personalismo cristão. Primeiro é preciso sair do âmbito privado, ‘doméstico’, que é o espaço da necessidade, próprio às crianças e aos escravos, que ainda não têm pensamento próprio e estão completamente absorvidos por suas necessidades corporais e emocionais. Devemos ser capazes de deixar de lado a preocupação ‘econômica’ em relação ao nosso eu superficial e emergir à luz da pólis cristã, onde cada um vive, não para si, mas para os outros, assumindo a responsabilidade pelo todo. É claro que ninguém assume esta responsabilidade por mera obediência a um capricho arbitrário, ou na ilusão de ser capaz de carregar nos próprios ombros os problemas de toda a Assembléia. Emerge-se ‘em Cristo’ para partilhar o trabalho e o louvor do Cristo total, e para isto tem de sacrificar seu próprio eu superficial e particular. O fruto paradoxal deste sacrifício do eu trivial e ‘egoísta’ (ou apenas imaturo) é que a pessoa se torna apta a descobrir seu eu profundo, em Cristo.”

Seasons of Celebration, de Thomas Merton
(Farrar, Straus and Giroux, New York), 1965. p. 25
No Brasil: Tempo e Liturgia, (Editora Vozes, Petrópolis), 1968. p. 29-30
Reflexão da semana de 19-03-2007

Um pensamento para reflexão: “O mais alto paradoxo do personalismo cristão é ser um indivíduo ‘encontrado em Jesus Cristo’ e, assim, ‘perdido’ para tudo aquilo que, do ponto de vista mundano, pode ser considerado como sendo o seu ‘eu’. Isto significa ser, ao mesmo tempo, você e Cristo.”
Tempo e liturgia, Thomas Merton

2 comentários:

Henrique disse...

Faço parte do grupo de meditação cristã no Mosteiro de São Bento, em São Paulo (onde o Santo Papa vai se hospedar), e a leitura que foi usada hoje, para nos inspirar, antes da meditação propriamente dita, foi este post.

Só queria dizer MUITO OBRIGADO a vocês pelo belíssimo trabalho que estão fazendo aqui, e pedir que nunca parem de nos brindar com essas pérolas de sabedoria do nosso amado irmão, o grande Thomas.

A Paz!

Pe. Vítor Magalhães disse...

Sou um amante de arte bizantina. Já li alguns livros,... expressam bem o testemunho espiritual que vive. Gostei de chegar até aqui.