09 setembro 2014

O amor escondido no outro

“Muita gente não revela nunca a parte de bem que nela se esconde, até o dia em que lhe damos um pouco do bem, isto é, um pouco da caridade que há em nós.

Somos de tal modo filhos de Deus, que, amando os outros, podemos fazê-los bons e amáveis, a despeito deles mesmos.

O nosso dever é o de tornar-nos perfeitos como é perfeito o nosso Pai celeste (cf. Mt 5,48). Isso significa que não olhamos o mal nos outros, mas lhe damos um pouco do nosso bem a fim de pôr à mostra o bem que Ele neles escondeu.”

Homem Algum é uma Ilha, Thomas Merton (Verus Editora, Campinas), 2003. p. 149

Um comentário:

Fernando Paiser disse...

Achei esse trecho final muito bonito: "(...)Isso significa que não olhamos o mal nos outros, mas lhe damos um pouco do nosso bem a fim de pôr à mostra o bem que Ele neles escondeu.”

Mesmo que não significasse nada já seria poético pela forma, mas é impossível não atentar para o conteúdo, mesmo porque uma forma sem conteúdo é de pouca valia, ainda que bela!
Mais uma vez Thomas Merton demonstra uma clareza de raciocínio que parece se tornar cada vez mais rara nos dias de hoje. Só concedendo ao meu próximo o melhor de mim (que não me pertence, mas me foi dado gratuitamente), posso fazer florescer nele o que ele tem de melhor, que aliás também não lhe pertence. Somos como que catalizadores que estimulam processos que nos foram gentilmente cedidos.