“ Há muito a dizer a favor e contra as ilusões e ficções incentivadas pelo desejo de auto-afirmação de certos grupos restritos. Na prática, eles de fato libertam o homem de suas limitações individuais e o ajudam, em certa medida, a transcender a si mesmo. E, se todas as sociedades fossem ideais, cada uma delas ajudaria seus membros a realizarem apenas uma auto-transcendência fecunda e produtiva. Mas, na verdade, as sociedades tendem a erguer o homem acima de si mesmo só na medida exata para torná-lo um instrumento útil e submisso em quem as aspirações, concupiscências e necessidades do grupo possam funcionar sem o empecilho de uma consciência pessoal delicada demais. A vida social tende a formar e educar as pessoas, mas geralmente à custa de deformação e perversão simultâneas. Isto porque a sociedade civil nunca é ideal, mas sempre uma mistura de bem e mal, e sempre tende a apresentar o mal em si mesma como uma forma de bem.”
Disputed Questions, de Thomas Merton
(Harcourt Brace Jovanovich, Publishers, New York), 1960. p. 182-183
No Brasil: Questões abertas, (AGIR, Rio de Janeiro), 1963. p. 204-205
Reflexão da semana de 1-05-2006