11 março 2014

O bom uso da inteligência

“Se, em vez de confiar em Deus, eu confio apenas na minha inteligência, os meios que Deus me deu para achar caminho até Ele hão de falhar sem exceção. Sem esperança, não há nada, na criação, que preste para algo de fundamental. Colocar a nossa esperança em coisas visíveis é viver no desespero.

E, no entanto, se eu espero em Deus, devo fazer também um uso confiante dos recursos naturais que, ao lado da graça, me ajudam a ir para Ele. Se Deus é bom e se a minha inteligência é uma dádiva Sua, o meu dever é mostrar, pela inteligência, a minha confiança na Sua bondade. Devo deixar a fé elevar, curar e transformar a luz da minha mente. Se Ele é misericordioso e se a minha liberdade é um dom da Sua bondade, devo mostrar, pelo uso da minha vontade livre, a confiança que ponho a Sua misericórdia. Devo deixar a esperança e caridade purificar e robustecer a minha liberdade humana e me elevar até a gloriosa autonomia dos filhos de Deus.”

Homem Algum é uma Ilha, Thomas Merton (Verus Editora, Campinas), 2003. p. 29 e 30.

Um comentário:

Fernando Paiser disse...

"(...)dos recursos naturais que, ao lado da graça, me ajudam a ir para Ele.(...)" No fundo tudo é graça de Deus, não é mesmo? como o próprio Merton diz: "(...)e se a minha inteligência é uma dádiva Sua(...)" Se estamos assim tão ligados a Ele como deve ser terrível "colocar a nossa esperança em coisas visíveis"!
Confiança, esperança, fé... inteligência... No fim das contas é como disse Santo Agostinho:
"Intellige ut credas, crede ut intelligas"


Agostinho sabia das coisas... Merton também!