10 junho 2014

Renúncia

"A nossa renúncia é estéril e absurda se a praticamos por motivos errôneos ou, ainda pior, sem motivo válido. Por conseguinte, embora seja verdade que devemos renegar-nos a nós mesmo a fim de aceder a um verdadeiro conhecimento de Deus, é preciso também termos algum conhecimento de Deus e da nossa relação com Ele, para nos renegarmos inteligentemente."

Homem Algum é uma Ilha, Thomas Merton (Verus Editora, Campinas), 2003. p. 97

Um comentário:

Fernando Paiser disse...

Projetando o pensamento de Merton numa perspectiva mais profunda (se isso fosse possível), eu diria que renunciar a si mesmo e às dádivas que Deus nos dá por motivo errôneo ou sem motivo algum seria até um pecado! Como me disse um padre uma vez durante uma confissão, Deus fez o alimento para nós, fez a água para nós, colocou toda a criação ao nosso serviço para o nosso deleite (o sábado é para o homem, não o homem para o sábado). Então seria um desprezo a Deus se desprezássemos em vão as coisas que Ele nos deu para que tivéssemos vida e vida em abundância. A renúncia é válida e necessária quando contributa para o louvor de Deus, a acesse do nosso espírito e a disciplina do corpo, e para que saibamos como usufruir corretamente do que Ele nos dá. Renunciando desse modo, aprimoramos, pela graça do Espírito, nosso conhecimento de Deus e nossa relação com Ele com as coisas criadas e com nosso próximo. Só então, como diz Merton, nos renegaremos inteligentemente.