31 janeiro 2005

O dom da vida

“ Por que será que meio que me convenci que morreria cedo? Talvez uma certa superstição — um medo de admitir uma esperança de vida que, se assumida, poderia ter que ser esmagada. Mas agora já “vivi” um razoável período de vida e que, se isto é importante ou não, nada pode alterá-la. Isto é certo, infalível mesmo, embora isto também seja somente um tipo de sonho. Se não chegar aos sessenta e cinco, terá ainda menos importância. Posso descansar. Mas a vida é um dom que me alegra e não lastimo o dia em que nasci. Muito ao contrário, se não tivesse nascido jamais poderia ter tido amigos para amar e ser amado, não teria cometido erros para aprender com eles, não teria conhecido novos países e, apesar do que eu possa ter sofrido, isto não tem conseqüências pois é, em verdade, parte do grande bem que a vida tem sido e espero, continuará a ser.”

A Year with Thomas Merton, Daily Meditations from His Journals
Selecionado e editado por Jonathan Montaldo
(HarperSanFrancisco, A Division of HarperCollinsPublishers, New York), 2004, p. 31.
Reflexões da semana de 31-01-2005

2 comentários:

Waldecy disse...

Esta "reflexão" de Merton foi anotada por ele em seu diário, em 31 de janeiro de 1960 quando completava 45 anos de vida.

Como sabemos, ele veio a falecer em 10 de dezembro de 1968, cerca de oito anos depois, com a idade de 53 anos.

Foi publicada pela Thomas Merton Foundation em 31 de janeiro de 2005 ocasião em que Merton completaria 90 anos de idade.

Anônimo disse...

Thomas Merton, já deveria saber em seu coração, que seria imortal em sua escrita, porque tinha consciência da verdade semeada aos amigos concretos e aos leitores invisíveis!
Quem alcança a Humanidade como ele, através das "SEMENTES DE CONTEMPLAÇÃO", sempre estará presente em todos os tempos, em cada espaço e em qualquer dimensão onde alguém o tenha lido em vida.
E jamais poderemos exaurir nossas pesquisas dos seus assuntos, porque onde existe infinitude de significados, sempre existirá a busca de saciedade nele, que continha Deus na abrangência da sua letra!
THOMAS MERTON está vivo em nós!
Anônima SF